27.9.03

Visita da Sorte

Façanha da Ana, do Romantick_Room:



Valeu pela visita, Ana, volte sempre e espero que a visita de número cabalístico dê boa sorte ao seu blog!

See Ya

PS: o desejo de sorte é de bom coração. Mas o número cabalístico, bem, é besteira.

   26.9.03

Quem quer ser Lecter van Helsing?

Amanhece mais um dia. A luz acinzentada da manhã deita-se sobre meus pés, ainda na cama, enquanto flocos de neve descrevem seu percurso suicida rumo ao solo gelado, endurecido e cheirando a sangue velho das ruas de Chicago. Percebo que dormi novamente sobre os livros, ou será que foram eles que me fizeram adormecer e ter todos aqueles pesadelos?

Ligo o chuveiro. A água morna arranca do meu rosto os últimos sinais da noite mal dormida e dos pesadelos que a acompanharam, e tal qual um tentáculo saído de um nicho de sombras, minhas memórias sobre a noite passada começam a retornar, ainda espalhando arrepios por meu corpo, como arranhões de uma garra gelada e monstruosa.

Sento-me na cama. A primeira imagem mais nítida que me vem a cabeça é a da garota. Sarah. Sarah era o nome dela. Num minuto eu sentia sua mão trêmula, transpirada e quente sobre a minha própria mão. E em seguida tudo que eu via era uma mulher desesperadoramente histérica, lívida e fora de controle. Seu rosto distorcido como a imagem da própria morte refletida no Lago Michigan, olhando para aquilo que seria seu fim. Olhando para o terrível e assustador tentáculo que partiria seu corpo ao meio no segundo seguinte.

E Barker. Nunca saberemos se nosso companheiro ficara cego ou passara a enxergar tudo que não devia em seu derradeiro momento, antes de ter do peito arrancado o próprio pulmão e ter sido jogado no abismo onde seu espírito se contorcerá para todo o sempre em agonia lancinante e na companhia de devoradores de almas.

Mas eu salvara todo o resto. Todos eles. Idiotas. E agora isso já parecia tão distante e sem importância. Outro espasmo gelado na espinha trouxe-me de volta para o mundo real. Minhas lembranças me deixaram por um segundo, só para que eu percebesse que isso era minha vida agora. Estudar, estudar e estudar. E sempre precisar fugir do objeto de meus conhecimentos. Sempre precisar esquecer o que as sombras das noites geladas traziam para mim. Tentar escapar das mãos e bocas de escuridão que tentavam me envolver a cada noite. Fosse em sonho ou no mundo real.

Esse agora era o meu destino. Conhecer e perseguir criaturas que espreitavam nos cantos escuros das mentes e vidas de pessoas inocentes. Ou não tão inocentes assim. Ignorantes, eu diria, se eu mesmo não soubesse tão pouco dos movimentos realizo neste tabuleiro. E que monstros eram aqueles? Forcei minha mente para buscar a última imagem da noite anterior e tudo que obtive como resposta foi a sombria impressão daquela maldita casa. Uma mansão inteira disposta a engolir tudo e todos ao seu redor. Andávamos por corredores que eram as milhares de gargantas de nosso próprio predador. Toda a realidade tornou-se elástica dentro daquela casa e toda a vida e todas as coisas, até mesmo o ar que em nossos pulmões adentrava, era o próprio sangue da criatura. Tudo ali respeitava a mesma vontade e tinha um mesmo nome. Nyarlatothep.

De um salto coloquei-me em pé. Uma agonia petrificante tomava conta de mim. Minha garganta fechava e meus olhos queimavam imersos em suas órbitas borbulhantes. Minha mente desfazia-se e por um instante vi meu corpo espalhar-se pelo chão. Arrastei-me até a porta e nesse momento descobri que não havia mais portas no mesmo lugar onde elas sempre estiveram. E a cama? E os livros? E o banheiro? Deus. Eu não estava em minha casa! Não mais. Senti um enjôo alastrar-se por meu estômago e como um fugitivo desesperado fui procurar e encontrar a porta em outra parede. Saltei na direção dela e me arrastei pelos metros seguintes. Mas antes que eu pudesse tocá-la, alguém entrou.

Eu estava de volta à cama. A mesma cama. Tudo que consegui reconhecer foi o homem que havia entrado, agora saindo do quarto. Em seu peito, uma identificação gritava claramente o nome de minha nova casa: Hellsburg Sanatorium. E como se ali eu estivesse protegido, eu pude fechar os olhos novamente. Talvez tivesse comprado minha passagem de volta ao mundo da sanidade.

Talvez.

See Ya

PS: o conto acima foi baseado na campanha de RPG Sombras e Metralhadoras, mestrada por este que vos escreve. É uma campanha do jogo Call of Cthulhu, publicado pela Editora Chaosium, que descreve o universo criado por H.P. Lovecraft

   25.9.03

Atualizações

Novidades no menu, que agora ficou um pouco mais destacado (valeu, Ina!!!).

Coloquei 3 novos blogs na seção Blogs (dããããã). São eles:

Pequi-up (http://pequi-up.blogger.com.br/): um blog muito interessante, escrito pela , uma garota inteligentíssima e que tem, pra escrever, a mesma habilidade de fazer bolos deliciosos daquela sua avó. Preciso falar mais?

Quickened (http://quickened.blogspot.com/): o blog do Bolinha (que entre os novatos tem a alcunha de Marcos), que também escreve que dá até gosto, em português e às vezes em inglês. Podem ler sem medo que é entretenimento e bons textos na certa. Só é uma pena ele merecer o prêmio Teia de Aranha.

Nicodra Cave (http://nicodracave.blogspot.com): um blog recém-saído da cabeça de um grande amigo, que curte muita coisa legal e gosta de falar delas em seu blog. Um pouco de Augusto dos Anjos, um pouco de bandas (alternativas/undergrounds ou não) e uma boa dose de ironia e sarcasmo, além de muitas outras cosias qu enem o dono sabe ainda que vão surgir no blog.

Sense (http://www.sense.weblogger.terra.com.br/): eu conheci esse blog através dos comentários dela aqui no Quando Isso e pq ela fez uma grande surpresa ao linkar meu blog por lá. Fui conferir e encontrei um blog pra lá de bom. Vários textos bem escritos e de um bom gosto ímpar. Visitem, que vocês só tem a ganhar.

Fora isso, reparem que o Amarula com Sucrilhos acaba de adentrar na lista dos Top 5. Aí, Alê, depois a gente acerta a comissão... =)

Por hora essas são as novidades.

See Ya

   23.9.03

Querer acreditar

Um grande amigo me disse, ainda hoje algo interessante e verdadeiero sobre ser inocente e ser enganado: "às vezes a gente só quer acreditar". É verdade. Infelizmente nem isso resta.

Existem pessoas que vivem para, e apenas para, negociar com a esperança alheia. Para enganar e extorquir aquelas pessoas que não tem mais condições, ou se deixam levar por um momento de devaneio, ou ainda estão cansadas do esquema trabalho-casa-salário-pagar_contas_atrasadas-banco_no_vermelho-tentar_ser_feliz_vendo_novela. É triste e irritante e é verdade.

Dentro deste tipo de pessoa se encaixam todo tipo de "bons moços e moças", sempre dispostos a judar e a animar e a ser agradável, até que você se volte contra um deles. Então eles assumem suas caras enrugadas e malévolas, tal qual um velho Hobbit diante do Um. Pastores, políticos, corretores de imóveis, assessores empresariais, headhunters, spammers, etc...

É incrível como há pessoas que tem como emprego enganar o outro e tornar suas vidas mais miseráveis. Tirar dos desesperançados toda a (pouca) força que este tem pra levantar e seguir. Eles fazem com que você não queira se levantar no dia seguinte para procurar um emprego. Fazem você não querer orar para um Deus vão e caríssimo. Fazem você não tentar consertar um país através do voto. Fazem você se sentar e escrever um post como esse ao invés de falar da chegada da primavera, ou fazer uma crítica de um ótimo filme.

Há tempos estou bolando um post, que hoje ganha mais um aval positivo para pular do meu cérebro para a tela do computador. Hoje eu percebi claramente e senti na pele o que é estar sem esperanças. Sem vontade de olhar pra frente ou voltar pra casa. Pronto pra pegar um taco de baseball (ou uma Calibre 12) e ir pro cinema (ou pra Avenida Paulista, 2001 - 12º Andar) se divertir um pouco. Enfim, acho que hoje eu fui inocente. Hoje eu quis acreditar. Hoje eu tomei no cu.

Depois eu volto.

See Ya

   22.9.03

The Fly Version

Olá, leitor do Quando Isso Virar um Blog. Talvez você já tenha percebido que algumas mudanças ocorreram por aqui.

Na verdade é a primeira etapa de uma série de mudanças que vão passar por aqui até o final do ano. A primeira, o layout, é a mais clara e evidente. Aproveite-a. Use e abuse do início da nova versão do blog. E dê sua opinião. Todo mundo que deixar algum comentário (quando eles estiverem disponíveis) neste post irá concorrer a um prêmio do Quando Isso no final do ano. Um presente (é sério) de Natal deste abobalhado blogueiro para seu fiel e insistente público.

Mas hoje não tenho um post, propriamente dito. Olhem ao redor, mexam e procurem por tudo com que possam interagir. Bom divertimento.

See Ya

   14.9.03

Prelúdio

Eu sou mais uma daquelas criaturas que todos ignoram. Até não ignorarem mais. Sou como sua pior doença, da qual você só se lembra quando lhe faltam forças.
Nunca sou apreciada, agraciada. Ou sequer sobre mim são feitos comentários construtivos.
Alguns temem minha presença e absolutamente ninguém me olha nos olhos.

Mas não me tomem por inofensiva, fraca, frágil.
Você me olha de um patamar que não existe, esquecendo-se de que, embora eu não viva mais do que o tempo de algumas centenas de batidas do seu coração, o legado que posso deixar pode devastar sua vida.
Vou me alimentar do seu sangue, pisar sobre suas feridas e defecar em sua boca; suas fezes serão meu banquete e desse banquete nova vida, pútrida, fétida e inexorável, nascerá.

E vou tirar seu sono, fazendo você ouvir meu canto. E vou caminhar sobre seu corpo adormecido e sobre ele reinar absoluta. E antes que você possa levantar sua pesada mão eu vou estar longe, pronta para observar o caos, a chagas, a tristeza e a apatia se abaterem sobre sua desprezível vida. E sentir brilhar em meus olhos milhares de reflexos de seu corpo se contorcendo, tentando imaginar quais pecados cometeu para merecer tamanho suplício. Mas fui eu. Apenas eu, a causadora de tudo.

Do caos, eu sou a encarnação.
Do fétido, eu sou a usurpadora.
Da morte, eu sou a mensageira.
Da doença, eu sou a mãe.
Da insignificância, eu sou a filha.
E deste blog eu sou o símbolo.

Os dias estão numerados.

See Ya

   3.9.03

Comentar de cu é rola!!!

O que eu poderia dizer? Retiro tudo o que eu disse. Agora sim, o Comentar está perfeito.

Ahhh chega, né?

O Comentar está fora do ar de novo.

Que bosta!! Um sistema tão bom começar a cagar de repente. Porra, Daniel, faz uma merda de um plano pago pra sustentar teu site!!!

Vou procurar outro sistema. Depois eu volto!


See Ya

Síntese

Há muito descobri que eu era ator. Independente do que eu fizesse em minha vida, eu seria um ator. Um ser que precisa viver com intensidade todas as experiências de uma vida. De paixões arrebatadoras a situações encardidas e miseráveis. De perigos e felicidades extremas a pífios momentos de estagnação e idiotismo. De aventuras heróicas a mortes trágicas prenunciadas por bruxas ou espíritos.

Muito cedo descobri que meu lugar eram os palcos dos teatros e da vida. E de diversas formas já havia encontrado maneiras de expressar isso. Hoje encontrei uma das mais sublimes expressões disso, disfarçada na voz tranquila, mas certeira de Carl Jung:

"O artista não é uma pessoa dotada de livre arbítrio que persegue seus próprios objetivos, mas alguém que permite à Arte realizar seus propósitos através dele. Como ser humano, ele pode ter humores, desejos e metas próprias, mas como Artista ele é "homem"num sentido mais sublime - ele é um homem coletivo - alguém que carrega e molda a vida psíquica inconsciente da humanidade." - Jung, 1933.

See Ya

PS: não tenho tido muito tempo de escrever, mas estou gradualmente preparando toda uma série de posts. Fiquem com este rascunho acima e com posts antigos por enquanto. Aplaquem suas curiosidades, pois sua fome não é de formas, e sim de saberes.