19.3.07

Desfigurações avançadas

Ele era grande e gordo. Ele era bobo. Ele estava com raiva e com medo. Ele estava rápido e direto na minha direção. Ele estava louco, mas não estava armado. Eu estava. A pedrada no peito foi efetiva. Dura, fria e acinzentadamente efetiva. Ganhei a parada e o dia, mas não levei a pedra comigo. E em casa, ao invés de apanhar do meu pai depois dos protestos da mãe do garoto, ganhei uma vaga na escola de beisebol.

* * *

De todo o túmulo de Fabiano, o que mais me impressionava era a pedra que recobria o local. Parecia-me um filtro, uma lente que o transformava em algo frio, distante, epitáfico. Quando eu finalmente tive a coragem de arrebentá-la com a marreta, não estava vandalizando ou me rebelando: só estava procurando o sorriso e o calor do meu amigo.

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   12.3.07

Quando Isso Virar um Blog

20129 visitas.
312 posts.
3 layouts.
4 anos de Quando Isso Virar um Blog.

Os números refletem já quatro anos em que venho publicando textos com mais ou menos frequência no blog. No meio do caminho ainda fui agraciado com a presença de meu blogmate, Marcelo Barros, e só posso dizer que escrever aqui tem sido muito bom.

Críticas, crônicas, contos, resenhas, homenagens, opiniões, divergências, controvérsias. Muito passou por aqui, e depois desse tempo, algo fica muito claro pra mim: o Quando Isso tornou-se parte inexorável da minha vida. Obteve sucesso em mesclar-se a todas as outras coisas que faço e ficar, permanecer. Mais do que o ato de escrever em si, do que o ato de comunicar, ficou impresso em mim a necessidade de criar. E grande parte do meu processo criativo e o reflexo que ele teve em minha vida está estampado aqui. Em momentos em que não consegui criar (em qualquer aspecto) foram os períodos de menos atividade deste cafofo virtual. Meus humores e sentimentos tornaram-se tantas vezes em palavras e temas e opiniões aqui nessa tela, que hoje é automático transpor para cá quase tudo em que penso. É praticamente impossível passar um dia sem pensar no Quando Isso.

Quando o criei, acreditava que poderia dar vazão a todas as minhas idéias e levá-las onde quer que eu desejasse. Não foi bem assim, é claro, pois não só de idéias vive um blog (há também a divulgação, os links, a qualidade do que se expõe, etc...). Passei por fases onde quis transformá-lo num site, num portal, em algo maior, em algo menor. Momentos em que ele beirou o bloguicídio, seguidos de certos arroubos criativos e mudanças de cara. Mas enfim, ele (e eu, talvez) sossegou e encontrou seu lugar. Hoje não penso em torná-lo um grande site, com milhares de visitas, ou sequer com endereço próprio. Ele vai continuar, tão estanque quanto foi, a alcançar alguns poucos e tentar inspirá-los, desafiá-los, incomodá-los. Foram 4 anos criando moscas nas sopas, pedras nos sapatos. E assim continuará, pouco a pouco, enquanto as sopas e os sapatos existirem.

Procure um novo olhar, deixe a mesmice de lado, inverta suas idéias e sentimentos, critique, pense e repense. Repense você mesmo e seus caminhos. Esteja eternamente insatisfeito. Seja estranho e incômodo por opção e não se importe com as consequências disso. Na pior das hipóteses, poderemos comemorar ainda muitos aniversários juntos, aqui. E se não pudermos, comemoraremos outras coisas.

Feliz aniversário, Quando Isso!

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   10.3.07

Claridade

A batida ritmada e frequente reverberava pela pista, e assim, através do seu corpo. Procurara por ela a noite toda, na pista, no bar, na varanda, nas escadas. Até na saída do banheiro. Havia visto seu tranquilo rosto nas faces embriagadas de centenas de garotas naquela noite, mas vez após outra, eram apenas alucinações. De qualquer forma, toda a bebida e o cigarro não o estavam ajudando.

No fundo de sua mente sabia o que procurava: sexo. De uma forma como nunca quisera antes: sujo, rápido, sem sentimentos ou preocupações. Mas algo obliterava sua mente e sua visão. E fossem as drogas ou os hormônios, não podia fazer nada a não ser procurá-la, ou imaginá-la no corpo de todos ao seu redor.

E no momento em que a primeira lágrima ameaçou jogar-se de seus mórbidos e tristes olhos, ela apareceu. Ali mesmo na pista, dançando como se seu próprio corpo fosse a música. Ainda indeciso, por não saber se era outra alucinação, ele aproximou-se. Mas o olhar que ela lançara em resposta a sua esperançosa busca era inconfundível. Parecia até espanto, de certa forma.

"O que você está fazendo aqui?", ela disse, quase sussurando, embora ele ouvisse muito claramente suas palavras.

"Te procurando!"

"Você devia estar morto!", pela primeira vez ela parecia vacilar em sua impecável forma, em sua extrema e antiga sabedoria.

"Eu sei. Foi o que te pedi. Mas não estou, essa é a verdade". Beijaram-se violentamente.

"Então é isso. Você não está morto. Sinto muito, mas agora não há muito o que eu possa fazer."

"Não pode ser. Você me prometeu, mas já faz uma semana e eu só me sinto mais forte"

"Sinto muito mesmo, mas agora é tarde."

"Não, não.. não me deixe sozinho aqui. Eu estou com medo e com frio. Eu quero... eu quero."

Ela agarrou-o e o pressionou contra a parede. Braços e sombras fundindo-se numa dança macabra e feia.

"O que você quer?", ela indagou, e havia sangue em seu olhar.

"Alguma claridade", respondeu enquanto sentia seus caninos avantajarem-se sobre sua língua. "Eu só quero claridade"

Ela sorriu, e agora seus caninos também estavam visíveis, brancos e longos. Mortos e sedentos. "Então você terá. Mas do mundo que conheceu nada restará e a vida que tanto desprezou, terá de suportá-la etenamente, agora". E o abraçou.

E o restante ninguém viu, mas em seu coração imortal e sombrio ele guardou aquele momento pra sempre.

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   6.3.07

A arte de pensar e refletir



E falando em Calvin, Depósito do Calvin

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PS: roubei esta tirinha do meu parceiro de blog. Valeu, Má.

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   5.3.07

Sob as águas do lago

Muitos são os perigos que espreitam nossa frágil espécie nesse mundo. Enquanto muitos pensam poder se gabar de sermos a raça dominante e predadores mais poderosos do planeta, criaturas que vivem sob lagos e pedras e dentro das sombras nos vigiam, nos observam, aguardando um relance de nossa falsa modéstia e nosso excesso de confiança.

Se as cultuamos, ou as caçamos, ou as estudamos, não faz muita diferença. Sempre o que podemos ver dentre as frestas de nosso obtuso conhecimento é o que nos levará à loucura de querermos mais, ou ao tórrido, vertiginoso e emaranhado momento de nossas mortes, nas mãos e bocas e tramas destas aberrações que nos cercam onde quer que estejamos.

Talvez seja ao largo de um bosque, ou ao fundo de um lago revolto, ou mesmo na ágeis sombras de uma sala de cinema. Eles nos encontrarão e de nossos esquálidos corpos tirarão nosso último suspiro, expirado em agonia, como uma criança que não sabe o que se esconde no fundo de uma armário esquecido e poeirento.

E além de nossas pútridas carcaças restarão os conhecimentos que nunca tivemos, os horrores que nunca vimos, as histórias que nunca contamos, além, é claro, de certas patas, garras ou tentáculos pegajosos afastando-se satisfeitos dos restos de corpos e almas que deixaram em seu caminho.

Meu amigo, esperamos todos que você possa descansar em paz. Esperamos que sua alma não esteja se debatendo em algum recanto fétido e sombrio de um lugar para onde todos nós, mais cedo ou mais tarde, também iremos.

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   2.3.07

Pretty special

Estava agora há pouco dando uma olhada no meu Orkut e fui ler as mensagens deixadas no meu último aniversário, em junho de 2006. E uma delas é absolutamente especial. Incrível como algumas pessoas sabem exatamente o jeito perfeito de serem especiais e nos fazerem nos sentirmos da mesma forma. Mais uma vez, como cada vez que leio esse scrap, lágrimas escorreram pelo meu rosto. Um abraço apertado para um dos caras mais fantásticos que eu conheço. Alguém a quem não posso restringir elogios e felicidades. Um amigo de todas e para todas as horas, de quem me orgulho de ser amigo e que tem dividido muitos momentos importantes comigo. Bolinha, eu te amo, velho!

Agora, a mensagem:

Be selfish today, 'cause today is all about you.
Be yourself today, 'cause it sucks to be somebody else.
Be happy today, and try to keep it this way for as long as you can take it.
Be genuine today, tell someboy you love him/her and tell somebody to screw him/herself.
Be cool today, and remember that behind every stupid scrap there's probably a nice intention of someone who probably likes you. Probably.
Finally, be the best fucking friend anyone could ever have today, 'cause you simply can't help it.

E a tradução:

Seja egoísta hoje, porque hoje tudo tem a ver com você.
Seja você mesmo hoje, porque é uma bosta ser qualquer outra pessoa.
Seja feliz hoje, e tente ficar assim pelo maior tempo que puder.
Seja genuíno hoje, diga a alguém que você o(a) ama e diga a alguém para ele(ela) vá se foder.
Seja legal hoje, e lembre-se que por trá de cada scrap estúpido provavelmente há uma boa intenção de alguém qu eprovavelmente gosta de você. Provavelmente.
Por fim, seja o melhor amigo que alguém poderia ter hoje, porque você simplesmente não pode evitar isso.

Obrigado, mano! Você sabe me afogar em lágrimas como poucos.

Ah, e se você gostou do que ele escreveu, deveria tentar o blog dele. Ou esse outro, que também é dele. Ambos imperdíveis.

See Ya

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