19.3.07

Desfigurações avançadas

Ele era grande e gordo. Ele era bobo. Ele estava com raiva e com medo. Ele estava rápido e direto na minha direção. Ele estava louco, mas não estava armado. Eu estava. A pedrada no peito foi efetiva. Dura, fria e acinzentadamente efetiva. Ganhei a parada e o dia, mas não levei a pedra comigo. E em casa, ao invés de apanhar do meu pai depois dos protestos da mãe do garoto, ganhei uma vaga na escola de beisebol.

* * *

De todo o túmulo de Fabiano, o que mais me impressionava era a pedra que recobria o local. Parecia-me um filtro, uma lente que o transformava em algo frio, distante, epitáfico. Quando eu finalmente tive a coragem de arrebentá-la com a marreta, não estava vandalizando ou me rebelando: só estava procurando o sorriso e o calor do meu amigo.

See Ya

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