13.6.08

Entre o fogo e a frigideira

Passaram-se apenas 6 meses entre a rejeição, no Senado, da prorrogação da CPMF (até 2010) e a aprovação, com dois votos além do necessário, na Câmara dos Deputados, da CSS, a Contribuição Social para a Saúde. Engraçado como sob a batuta do PT, assim como do PSDB, tudo que querem dar uma cara de "benigno" chamam de social.

Redução na alíquota (de 0,38% para 0,1%), isenção para quem ganha menos de R$ 3.080,00. Dois pequenos detalhes neste "novo disfarce" da CPMF, que contra-atacou muito bem, ao ser aprovada na Câmara. Talvez esse seja o imposto mais abudsivo já criado por um governo brasileiro (criado em 1993, como IPMF), especialmente por se tratar do máximo da cumulatividade que um imposto pode ter, pois cada real será taxado (em 0,1%) TODA vez que for movimentado entre pessoas jurídicas, ou físicas (salvo isenção) diferentes. Isso deve gerar em torno de R$12 bilhões para a Saúde, o que deve ser insuficiente, se ainda mal administrado, como é hoje, pelo nosso brilhante sistema de saúde, que leva muitos brasileiros (afortunados, sim, porque podem pagar) a recorrerem a planos de saúde com custos abusivos e regras absurdas e ofensivas ao usuário (como carências descabidas, regras estúpidas para "doenças" pré-existentes, políticas para expulsar usuários Físicos em favor dos usuários Jurídicos - ou seja, atrelados a empresas e mais lucrativos). A população pobre tem de amargar por horas esperando atendimento de má qualidade, além de ficar sem muita alternativa e sem apoio dos que podem pagar e acabam cagando um monte pra situação da maioria.

Comum no Brasil, a dicotomia entre país de primeiro e terceiro mundo faz com que tenhamos imposto de primeiro mundo (comparável a Itália, França, Noruega) e tratamento de terceiro mundo dado ao nosso dinheiro, que engorda políticos ricos e iniciativas pobres. Contudo, encontrei certa coerência no discurso político. Tanto em 93 quanto agora, 15 anos depois, os governistas são a favor do tributo, e os oposicionistas contra (hahahahahahaha, essa foi boa!!!). Eu adoro não conseguir mais discernir entre esquerda e direita. Esquerda é o lado do braço onde se usa relógio, né?

Enfim, a cada ano a arrecadação com este tributo vem aumentando (foram quase R$18 bilhões em 2001) mas nada realmente efetivo tem sido feito na saúde. E agora querem que nós, os piores eleitores do mundo, acreditemos que dessa vez esse dinheiro fará alguma diferença. E como se não bastasse sermos tratados como palhaços pelos governistas, ainda temos de aturar os oposicionistas tirando sarro da nossa cara com um site cínico e hipócrita (com direito a logotipo com as cores do PSDB e a cara-de-pau de não assumirem a responsabilidade pelo site, no "quem somos"). É mesmo bem difícil votar, nesse país.

See ya

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