4.4.07

Rápidas de hoje

Esse ano os gênios do Departamento de Gestão de Pessoas da empresa onde trabalho só tinham 18 reais aprovados para o brinde de Páscoa dos funcionáriso. Dezoito reais total, não por pessoa. E sabe qual foi a genial idéia? Comprar UM ovo de Páscoa (ao preço de R$17,99) e sortear entre todos os funcionários dos 3 andares da empresa. E pasmem, o mesmo foi repetido para as outras unidades da empresa, pelo menos em São Paulo.

No meu departamento, e em alguns outros as pessoas pediram para que seus nomes fossem retirados da listagem de sorteio. Sugerimos que o ovo fosse dado para a copeira do nosso andar, mas ao que parece eles preferem continuar tentando o sorteio. Pensei em comprar um saco de bombons e distribuir amanhã na empresa, mas acabei desistindo: sinceramente preferia que eles tivessem solenemente ignorado a data ao invés de fazer uma palhaçada dessas.

* * *

Fui assistir a O Cheiro do Ralo, do diretor Heitor Dhalia, baseado na obra homônima de um dos meus grandes ídolos (e gosto de pensar que somos amigos também), Lourenço Mutarelli. É, sinceramente uma das melhores adaptações que eu já vi na minha vida. Texto impecável, atuação impecável, direção de arte impecável. Sem falar da participação do próprio Lourenço, que foi no mínimo, brilhante. Confetes à parte, o filme é muito bem produzido, conduzido e dirigido. A história, como a do livro, é cativante e fascinante.

Lourenço Mutarelli é um autor bastante visceral, que consegue revirar suas próprias tripas, assim como as nossas, para mostrar um lado humano que sempre tentamos esconder: no fundo, nós somos nós mesmos, e não há nada que possamos fazer a respeito. Em suas obras, a caracterização e as relações entre personagens, situações e sensações (principalmente sensações) dá dimensão e vazão ao que somos de verdade, por trás de máscaras e óculos e empregos e aparências. E felizmente o filme conseguiu captar isso muito bem. Agora levantem essas bundas daí e vão ver o filme. Agora.

Tá bom, tá bom. Podem ver o trailer antes.

See Ya

19.3.07

Desfigurações avançadas

Ele era grande e gordo. Ele era bobo. Ele estava com raiva e com medo. Ele estava rápido e direto na minha direção. Ele estava louco, mas não estava armado. Eu estava. A pedrada no peito foi efetiva. Dura, fria e acinzentadamente efetiva. Ganhei a parada e o dia, mas não levei a pedra comigo. E em casa, ao invés de apanhar do meu pai depois dos protestos da mãe do garoto, ganhei uma vaga na escola de beisebol.

* * *

De todo o túmulo de Fabiano, o que mais me impressionava era a pedra que recobria o local. Parecia-me um filtro, uma lente que o transformava em algo frio, distante, epitáfico. Quando eu finalmente tive a coragem de arrebentá-la com a marreta, não estava vandalizando ou me rebelando: só estava procurando o sorriso e o calor do meu amigo.

See Ya

12.3.07

Quando Isso Virar um Blog

20129 visitas.
312 posts.
3 layouts.
4 anos de Quando Isso Virar um Blog.

Os números refletem já quatro anos em que venho publicando textos com mais ou menos frequência no blog. No meio do caminho ainda fui agraciado com a presença de meu blogmate, Marcelo Barros, e só posso dizer que escrever aqui tem sido muito bom.

Críticas, crônicas, contos, resenhas, homenagens, opiniões, divergências, controvérsias. Muito passou por aqui, e depois desse tempo, algo fica muito claro pra mim: o Quando Isso tornou-se parte inexorável da minha vida. Obteve sucesso em mesclar-se a todas as outras coisas que faço e ficar, permanecer. Mais do que o ato de escrever em si, do que o ato de comunicar, ficou impresso em mim a necessidade de criar. E grande parte do meu processo criativo e o reflexo que ele teve em minha vida está estampado aqui. Em momentos em que não consegui criar (em qualquer aspecto) foram os períodos de menos atividade deste cafofo virtual. Meus humores e sentimentos tornaram-se tantas vezes em palavras e temas e opiniões aqui nessa tela, que hoje é automático transpor para cá quase tudo em que penso. É praticamente impossível passar um dia sem pensar no Quando Isso.

Quando o criei, acreditava que poderia dar vazão a todas as minhas idéias e levá-las onde quer que eu desejasse. Não foi bem assim, é claro, pois não só de idéias vive um blog (há também a divulgação, os links, a qualidade do que se expõe, etc...). Passei por fases onde quis transformá-lo num site, num portal, em algo maior, em algo menor. Momentos em que ele beirou o bloguicídio, seguidos de certos arroubos criativos e mudanças de cara. Mas enfim, ele (e eu, talvez) sossegou e encontrou seu lugar. Hoje não penso em torná-lo um grande site, com milhares de visitas, ou sequer com endereço próprio. Ele vai continuar, tão estanque quanto foi, a alcançar alguns poucos e tentar inspirá-los, desafiá-los, incomodá-los. Foram 4 anos criando moscas nas sopas, pedras nos sapatos. E assim continuará, pouco a pouco, enquanto as sopas e os sapatos existirem.

Procure um novo olhar, deixe a mesmice de lado, inverta suas idéias e sentimentos, critique, pense e repense. Repense você mesmo e seus caminhos. Esteja eternamente insatisfeito. Seja estranho e incômodo por opção e não se importe com as consequências disso. Na pior das hipóteses, poderemos comemorar ainda muitos aniversários juntos, aqui. E se não pudermos, comemoraremos outras coisas.

Feliz aniversário, Quando Isso!

See Ya

10.3.07

Claridade

A batida ritmada e frequente reverberava pela pista, e assim, através do seu corpo. Procurara por ela a noite toda, na pista, no bar, na varanda, nas escadas. Até na saída do banheiro. Havia visto seu tranquilo rosto nas faces embriagadas de centenas de garotas naquela noite, mas vez após outra, eram apenas alucinações. De qualquer forma, toda a bebida e o cigarro não o estavam ajudando.

No fundo de sua mente sabia o que procurava: sexo. De uma forma como nunca quisera antes: sujo, rápido, sem sentimentos ou preocupações. Mas algo obliterava sua mente e sua visão. E fossem as drogas ou os hormônios, não podia fazer nada a não ser procurá-la, ou imaginá-la no corpo de todos ao seu redor.

E no momento em que a primeira lágrima ameaçou jogar-se de seus mórbidos e tristes olhos, ela apareceu. Ali mesmo na pista, dançando como se seu próprio corpo fosse a música. Ainda indeciso, por não saber se era outra alucinação, ele aproximou-se. Mas o olhar que ela lançara em resposta a sua esperançosa busca era inconfundível. Parecia até espanto, de certa forma.

"O que você está fazendo aqui?", ela disse, quase sussurando, embora ele ouvisse muito claramente suas palavras.

"Te procurando!"

"Você devia estar morto!", pela primeira vez ela parecia vacilar em sua impecável forma, em sua extrema e antiga sabedoria.

"Eu sei. Foi o que te pedi. Mas não estou, essa é a verdade". Beijaram-se violentamente.

"Então é isso. Você não está morto. Sinto muito, mas agora não há muito o que eu possa fazer."

"Não pode ser. Você me prometeu, mas já faz uma semana e eu só me sinto mais forte"

"Sinto muito mesmo, mas agora é tarde."

"Não, não.. não me deixe sozinho aqui. Eu estou com medo e com frio. Eu quero... eu quero."

Ela agarrou-o e o pressionou contra a parede. Braços e sombras fundindo-se numa dança macabra e feia.

"O que você quer?", ela indagou, e havia sangue em seu olhar.

"Alguma claridade", respondeu enquanto sentia seus caninos avantajarem-se sobre sua língua. "Eu só quero claridade"

Ela sorriu, e agora seus caninos também estavam visíveis, brancos e longos. Mortos e sedentos. "Então você terá. Mas do mundo que conheceu nada restará e a vida que tanto desprezou, terá de suportá-la etenamente, agora". E o abraçou.

E o restante ninguém viu, mas em seu coração imortal e sombrio ele guardou aquele momento pra sempre.

See Ya

6.3.07

A arte de pensar e refletir



E falando em Calvin, Depósito do Calvin

See Ya

PS: roubei esta tirinha do meu parceiro de blog. Valeu, Má.