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9.6.08

Bastilha

Há tempos eu não consigo escrever. Em minha vã inocência chego a acreditar que "perdi a mão", que não consigo mais deitar no teclado minhas mãos por tempo suficiente pra permitir que as idéias fluam. Acabei me pegando, na semana passada, pensando em como era bom quando eu conseguia escrever essas coisas, ao reler textos velhos desse velho blog. Até mesmo invejar escritores e blogueiros de carreira eu fui capaz. Patético!

Veja bem, eu tenho escrito muito, ultimamente. Relatórios para o chefe, relatórios para o professor, resenha disso, escopo daquilo. Programas, muitos programas. Obviamente nada que eu possa escrever com criatividade, usando essas mãos semi-analfabetas e esta mente cheirando a mofo. Não há beleza onde não há criação e não há criatividade onde não há beleza. O sempre vertiginoso tempo em que me encontro agora não respeita minhas idéias. Ter de escrever na hora do almoço, ou entre dois freelas, ou num intervalo de aula simplesmente não funciona.

Costumo escrever meus textos em poucos minutos, no máximo algumas horas, mas apenas porque a idéia já se encontra ali, alojada numa cela nervosa, com barras de axônios, desesperada para ganhar a liberdade das palavras. E se a liberdade das palavras são os textos, as minhas já se calaram, arrasadas, sem esperanças, a fazer riscos no meu cérebro, contando os dias de cativeiro. Tornei-me um sequestrador de palavras, um algoz de minhas próprias idéias, cheias de vida a apodrecerem num recanto inacessível ao mundo.

Ainda tento, em vão, chamar este momento de "bloqueio de escritor", como muitos dizem por aí, mas o fato é que o bloqueio vem do próprio autor. Não tenho deixado fluírem as idéias, os pensamentos. Tudo se passa como num estacionamento lotado, e nunca há tempo de preencher as poucas vagas com algo que valha a pena publicar. Contudo, ainda lutam, as palavras, para saírem. Cansadas e enfraquecidas, mas com vigor suficiente para gritarem suas vontades e necessidades.

Estas, dançando a frente de seus olhos, caro leitor, são alguns rebeldes que conseguiram escapar. Não são de grande valia, mas o suficiente para armarem a resistência, e planejarem a derrubada desta Bastilha de idéias. Enquanto o relógio marca os minutos a menos que tenho, uma nova ordem se instala, sob pontes acinzentadas e esconderijos. Na calada da noite haverá, espero, uma revolta, uma revolução, e todas elas, palavras de alto e baixo calão, poderão uma vez mais correrem livres por aí.

See ya

12.3.07

Quando Isso Virar um Blog

20129 visitas.
312 posts.
3 layouts.
4 anos de Quando Isso Virar um Blog.

Os números refletem já quatro anos em que venho publicando textos com mais ou menos frequência no blog. No meio do caminho ainda fui agraciado com a presença de meu blogmate, Marcelo Barros, e só posso dizer que escrever aqui tem sido muito bom.

Críticas, crônicas, contos, resenhas, homenagens, opiniões, divergências, controvérsias. Muito passou por aqui, e depois desse tempo, algo fica muito claro pra mim: o Quando Isso tornou-se parte inexorável da minha vida. Obteve sucesso em mesclar-se a todas as outras coisas que faço e ficar, permanecer. Mais do que o ato de escrever em si, do que o ato de comunicar, ficou impresso em mim a necessidade de criar. E grande parte do meu processo criativo e o reflexo que ele teve em minha vida está estampado aqui. Em momentos em que não consegui criar (em qualquer aspecto) foram os períodos de menos atividade deste cafofo virtual. Meus humores e sentimentos tornaram-se tantas vezes em palavras e temas e opiniões aqui nessa tela, que hoje é automático transpor para cá quase tudo em que penso. É praticamente impossível passar um dia sem pensar no Quando Isso.

Quando o criei, acreditava que poderia dar vazão a todas as minhas idéias e levá-las onde quer que eu desejasse. Não foi bem assim, é claro, pois não só de idéias vive um blog (há também a divulgação, os links, a qualidade do que se expõe, etc...). Passei por fases onde quis transformá-lo num site, num portal, em algo maior, em algo menor. Momentos em que ele beirou o bloguicídio, seguidos de certos arroubos criativos e mudanças de cara. Mas enfim, ele (e eu, talvez) sossegou e encontrou seu lugar. Hoje não penso em torná-lo um grande site, com milhares de visitas, ou sequer com endereço próprio. Ele vai continuar, tão estanque quanto foi, a alcançar alguns poucos e tentar inspirá-los, desafiá-los, incomodá-los. Foram 4 anos criando moscas nas sopas, pedras nos sapatos. E assim continuará, pouco a pouco, enquanto as sopas e os sapatos existirem.

Procure um novo olhar, deixe a mesmice de lado, inverta suas idéias e sentimentos, critique, pense e repense. Repense você mesmo e seus caminhos. Esteja eternamente insatisfeito. Seja estranho e incômodo por opção e não se importe com as consequências disso. Na pior das hipóteses, poderemos comemorar ainda muitos aniversários juntos, aqui. E se não pudermos, comemoraremos outras coisas.

Feliz aniversário, Quando Isso!

See Ya