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4.4.07

Rápidas de hoje

Esse ano os gênios do Departamento de Gestão de Pessoas da empresa onde trabalho só tinham 18 reais aprovados para o brinde de Páscoa dos funcionáriso. Dezoito reais total, não por pessoa. E sabe qual foi a genial idéia? Comprar UM ovo de Páscoa (ao preço de R$17,99) e sortear entre todos os funcionários dos 3 andares da empresa. E pasmem, o mesmo foi repetido para as outras unidades da empresa, pelo menos em São Paulo.

No meu departamento, e em alguns outros as pessoas pediram para que seus nomes fossem retirados da listagem de sorteio. Sugerimos que o ovo fosse dado para a copeira do nosso andar, mas ao que parece eles preferem continuar tentando o sorteio. Pensei em comprar um saco de bombons e distribuir amanhã na empresa, mas acabei desistindo: sinceramente preferia que eles tivessem solenemente ignorado a data ao invés de fazer uma palhaçada dessas.

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Fui assistir a O Cheiro do Ralo, do diretor Heitor Dhalia, baseado na obra homônima de um dos meus grandes ídolos (e gosto de pensar que somos amigos também), Lourenço Mutarelli. É, sinceramente uma das melhores adaptações que eu já vi na minha vida. Texto impecável, atuação impecável, direção de arte impecável. Sem falar da participação do próprio Lourenço, que foi no mínimo, brilhante. Confetes à parte, o filme é muito bem produzido, conduzido e dirigido. A história, como a do livro, é cativante e fascinante.

Lourenço Mutarelli é um autor bastante visceral, que consegue revirar suas próprias tripas, assim como as nossas, para mostrar um lado humano que sempre tentamos esconder: no fundo, nós somos nós mesmos, e não há nada que possamos fazer a respeito. Em suas obras, a caracterização e as relações entre personagens, situações e sensações (principalmente sensações) dá dimensão e vazão ao que somos de verdade, por trás de máscaras e óculos e empregos e aparências. E felizmente o filme conseguiu captar isso muito bem. Agora levantem essas bundas daí e vão ver o filme. Agora.

Tá bom, tá bom. Podem ver o trailer antes.

See Ya

20.2.07

Sobre como isso tem a ver com aquilo -- de novo

Depois do referendo sobre a comercialização de armas; depois das eleições para presidente em clima de Palmeiras x Corinthians; agora é -- novamente -- a vez da redução da maioridade penal. Volta e meia o assunto ressurge, geralmente na esteira de algum crime chocante, como é o caso recente do menino João Hélio. Aí me lembrei que em abril de 2005 publiquei aqui um post exatamente com esse tema. Várias coisas mudaram desde aquela época (Giulia, por exemplo, agora tem um sorriso cheio de dentes heheh), mas a essência permanece. Então lá vai novamente, ipsis litteris, minha tentativa de contribuição para um debate com uma visão um pouco mais ampla...

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Sobre como isso tem a ver com aquilo

Sábado passado, no fim da tarde, indo ver minha afilhada Giulia, peguei trânsito congestionado no caminho para a Marginal do Tietê. Não demorou muito para eu entender a razão: as 57.000 pessoas que foram ao Skol Beats.

Então, na velocidade de "lesma lerda" em que eu estava indo, fiquei olhando os outdoors da Av. Tiradentes. Um deles me chamou a atenção por tratar do plebiscito sobre a redução da maioridade penal.

Os que defendem essa idéia querem reduzir a imputabilidade de 18 para 16 anos, argumentando que os adolescentes infratores devem ir para a cadeia comum. Ainda mais agora, com as recentes e constantes rebeliões na FEBEM.

Ora, não é necessário ser exatamente um gênio para entender que não há fábrica de bandidos maior e mais eficaz que o sistema prisional brasileiro e a própria Fundação Estadual do Bem-Estar (sic) do Menor. Talvez o Congresso Nacional, mas aí já é outra categoria.

Na minha humilde e nada especializada opinião, o que esses obtusos não vêem é que o problema está na outra ponta, aquela da desigualdade social que ganhou para o Brasil a alcunha de Belíndia -- uma pequena e rica Bélgica cercada por uma imensa e pobre Índia, tudo junto nesse "país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza".

Será que não dá para perceber que reduzir a maioridade penal não vai resolver nada? O que é pior, que tende a ficar mais sério? E depois? O que fazer quando o problema aumentar? Reduzi-la ainda mais, até o ponto em que ela vai ser determinada pela idade em que as crianças conseguem empunhar uma arma? Oito anos, talvez? Ou quem sabe os fabricantes descubram materiais mais leves para que os ainda mais novos consigam usá-las também?

Bom, agora vamos voltar ao tal do Skol Beats. Foram 57.000 pessoas pagando de R$ 35,00 a R$ 90,00 para estar lá pulando a noite toda ao som tocado por DJs famosos em seus meios.

(Só uma observaçãozinha: qual é essa de idolatrar DJs como se fossem músicos virtuosos? Porra, o que os caras fazem é misturar músicas! Ou "mixar", para ficar mais sofisticado. É legal e tal, mas é só isso, não é? Ou então eu é que sou ignorante, sinto muito.)

Nas preliminares da megabalada, foram apreendidas dezenas de milhares de pastilhas de ecstasy. Eu mesmo vi no jornal a apreensão de 41.000 comprimidos -- todos em forma de coraçãozinho, que fofo! Sem contar que um subgerente do Banco Real ainda guardou não sei quantos no cofre do banco em que trabalhava. Até que faz sentido...

Já que você teve paciência para ler até este ponto, vamos montar a equação? É até simples: os filhinhos da (tosca) elite deste país enchem o rabo da AmBev com o dinheiro dos pais deles. E, para turbinar as sensações, gastam mais dessa mesma grana com o ecstasy que os faz amar tudo e todo mundo. Só que alguém tem que fazer o trabalho sujo. E o trabalho sujo muitas vezes é feito justamente pelos adolescentes que essa mesma elite quer colocar atrás das grades.

Deu para sacar? Vamos brincar de fazer uma historinha: Doutor Gastão tem um filho, o Gastão Júnior, que tem 19 anos, é muito "popular" e vive de festa em festa, motivo de mal-disfarçado orgulho do Dr. Gastão, temperado com uma preocupação de butique com o menino nesta cidade tão violenta... Júnior, por sua vez, é perito em esbanjar a grana do Dr. Gastão com uma lista de prazeres -- inclusive o ecstasy, que ele compra do Marcos, colega de faculdade (paga) e subgerente do Banco Real. O Marcos compra a droga do seu João Santos, cujo filho, Joãozinho, de 17 anos, vai à boca toda terça-feira buscar a entrega. E é o Joãozinho que o Dr. Gastão quer mandar para a cadeia, afinal a cidade está muito violenta para o Júnior.

(Só um adendo: é claro que isso é uma generalização. E, como toda generalização, é injusta. Sei disso e assumo.)

Enquanto isso a Giulia, cada dia minha linda, sorri para nós seu sorriso sem dentes e tenta comer a orelha do Tigrão de borracha que ela ganhou. É, Gigi, às vezes eu me pergunto se devemos celebrar ou lastimar sua vinda para este mundo...

13.2.07

Ué, mas não é a mesma coisa?

Mais uma "crônica da vida cotidiana". Dia desses, eu conversava com uma pessoa que havia conhecido pouco antes. No decorrer do diálogo, mencionei que gosto muito de estudar, que sou um "nerd de carteirinha". O comentário que ouvi em resposta foi bem curioso: "Adoro aprender e conhecer, mas detesto estudar", ou algo bem parecido.

Ora, eu, que estou nessa de trabalhar com educação há anos, já cansado de falar sobre ensino e aprendizagem, nunca havia parado para pensar sobre aprender/conhecer de um lado e estudar de outro. E não é que é óbvio que não são sinônimos??? Mas, como diz uma amiga muito querida, o óbvio só é óbvio para olhos bem treinados.

É fato que existem muitas escolas por aí que fingem que ensinam para alunos que fingem que aprendem (viva o lugar-comum, êêêêê!!!). E assim vão "estudando". E também assim ambos, professor e aluno, perdem grandes chances de efetivamente aprender e conhecer.

Vejam que, ao contrário de outra máxima do lugar-comum, isso não se limita a este ou àquele contexto; mas é, infelizmente, generalizado. Acredito que meu interlocutor tenha tido acesso às "melhores escolas", mas isso não o impediu de ter a tal percepção. O que será que nos levou a este (triste) cenário? Por que tanta apatia nas escolas? Tenho cá minhas hipóteses, mas isso é assunto para outro post -- quem sabe um dia.

Por enquanto o que tenho a dizer é que concordo, Cyro, e altero minha afirmação inicial: mais que de estudar, gosto muito de aprender e conhecer -- como você. E quando estes são promovidos por aquele, ou seja, quando o estudo cria oportunidades ricas para o aprender e o conhecer, aí sim acredito que a educação esteja realmente cumprindo seu papel!