O inverso de dois é meio.
Meio estranho, como cutucar a ferida antes da casquinha se formar.
Meio como calar na hora de dizer, e dizer, na hora de calar.
Meio maluco, como uma lista de coisas para se fazer antes de morrer.
Meio que acreditar em alienígenas voando sobre nossas cabeças.
Meio-dia e essa dor não passa.
Meio do caminho entre te odiar e te querer.
Meio desacreditado, infeliz.
Meio do caminho, e a pedra.
Meio de chegar a uma solução de um problema np-completo.
Meio da rua, sem ter onde ficar, nem lá, nem cá.
Meio com medo e eu sempre tenho medo.
Meio da chuva, dizendo seu nome.
Meio amarelo.
Meio litro de lágrimas num balde.
O inverso de dois é meio.
E sendo meio, eu nunca sou um, inteiro.
See ya
Coisas sérias e não sérias. Ácidas e às vezes doces. E outros comentários, como cinema, comportamento, literatura, etc...
3.9.09
1.9.09
Aos anos
Aos anos, gentis, eu saúdo,
Pelo presente que trouxeram pra mim,
Um amor que de pequeno, miúdo,
Tornou-se grande, delicioso, sem fim.
Aos anos, que mudaram nosso amor,
Que frente ao tempo parecia não passar,
E contudo quando ao seu lado, ó calor,
Paradoxo - passava a correr, a voar.
Não há paixão assim, que me recorde,
E lutar por ela é querido clamor,
Pois desse sonho não haverá o que me acorde.
Se houve e ainda haverá algum sofrimento,
Por ti tenho e darei todo o meu amor,
Aos anos brindo e serei o teu alento.
Pelo presente que trouxeram pra mim,
Um amor que de pequeno, miúdo,
Tornou-se grande, delicioso, sem fim.
Aos anos, que mudaram nosso amor,
Que frente ao tempo parecia não passar,
E contudo quando ao seu lado, ó calor,
Paradoxo - passava a correr, a voar.
Não há paixão assim, que me recorde,
E lutar por ela é querido clamor,
Pois desse sonho não haverá o que me acorde.
Se houve e ainda haverá algum sofrimento,
Por ti tenho e darei todo o meu amor,
Aos anos brindo e serei o teu alento.
28.1.09
Veja o sol dessa manhã tão cinza
Hoje acordei sentindo inveja do Renato Russo. Inveja das idéias que teve, da vida que levou, da vida que acabou. Sou grande fã de suas letras, mas nunca conheci muito bem a figura em si. Sei que era um gênio, sei que não se encaixava em lugar nenhum nesse mundo. Sei que morreu aos 36 tendo vivido muito mais que muitos velhos de 90 anos.
Hoje acordei com essa inveja, e não por vontade de ter sido Renato Russo, não por ter tido suas idéias. Em muitas coisas fomos e somos parecidos, ou pelo menos eu gosto de pensar que assim é. Eu também sei que não me encaixo, muitas vezes, no mundo que me cerca. Eu sei que tenho tentado mais do que normalemente consideraria prudente me encaixar em certos padrões. E sei o quanto isso dói.
Talvez eu não vá morrer aos 36 anos de idade e talvez minhas idéias nunca cheguem a se espalhar tanto quanto às de Renato Russo. Eu sei, é tudo tão sem sentido, que chego até a rir da minha própria inteligência, tão cuidada e lustrada por mim e tão inútil, tão insipiente. Gosto de pensar que dividia essa mesma inteligência com Renato Russo.
E por que inveja, então? Acho que é porque ele foi corajoso. Teve coragem de viver o que viveu, de sentir o que sentiu, de morrer ainda jovem e fazer a falta que faz e sempre fará. Ainda lembro julgá-lo corajoso quando o DJ parou a música na pista do Madame Satã, em 96, e deu a notícia de sua morte, tocando Tempo Perdido logo a seguir.
Teve a coragem que eu não tive e nunca terei. Teve coragem de ser ele mesmo acima de todas as coisas. E eu também faço questão de ser eu mesmo, mas nunca poderei dizer "acima de todas as coisas", porque isso é mais difícil do que parece e mais caro do que eu um dia pude imaginar.
Obrigado, Renato Russo, por já ter me ajudado tantas vezes me sentir tão extraordinariamente sujo e distante. Por ter me ajudado a conduzir meus pensamentos e iras e raivas e medos e lutas de forma resoluta e acreditando que não posso fazer nada melhor pra mim mesmo do que cultivar minha inteligência crítica, chata e ranzinza, e me fazer consciente e firme dos meus próprios defeitos e erros. Sem isso, eu seria apenas mais um. Nada de mais.
See ya
PS: acima de todas as coisas, somente uma coisa eu posso dizer.
Hoje acordei com essa inveja, e não por vontade de ter sido Renato Russo, não por ter tido suas idéias. Em muitas coisas fomos e somos parecidos, ou pelo menos eu gosto de pensar que assim é. Eu também sei que não me encaixo, muitas vezes, no mundo que me cerca. Eu sei que tenho tentado mais do que normalemente consideraria prudente me encaixar em certos padrões. E sei o quanto isso dói.
Talvez eu não vá morrer aos 36 anos de idade e talvez minhas idéias nunca cheguem a se espalhar tanto quanto às de Renato Russo. Eu sei, é tudo tão sem sentido, que chego até a rir da minha própria inteligência, tão cuidada e lustrada por mim e tão inútil, tão insipiente. Gosto de pensar que dividia essa mesma inteligência com Renato Russo.
E por que inveja, então? Acho que é porque ele foi corajoso. Teve coragem de viver o que viveu, de sentir o que sentiu, de morrer ainda jovem e fazer a falta que faz e sempre fará. Ainda lembro julgá-lo corajoso quando o DJ parou a música na pista do Madame Satã, em 96, e deu a notícia de sua morte, tocando Tempo Perdido logo a seguir.
Teve a coragem que eu não tive e nunca terei. Teve coragem de ser ele mesmo acima de todas as coisas. E eu também faço questão de ser eu mesmo, mas nunca poderei dizer "acima de todas as coisas", porque isso é mais difícil do que parece e mais caro do que eu um dia pude imaginar.
Obrigado, Renato Russo, por já ter me ajudado tantas vezes me sentir tão extraordinariamente sujo e distante. Por ter me ajudado a conduzir meus pensamentos e iras e raivas e medos e lutas de forma resoluta e acreditando que não posso fazer nada melhor pra mim mesmo do que cultivar minha inteligência crítica, chata e ranzinza, e me fazer consciente e firme dos meus próprios defeitos e erros. Sem isso, eu seria apenas mais um. Nada de mais.
See ya
PS: acima de todas as coisas, somente uma coisa eu posso dizer.
14.11.08
Outra coisa
Não acordou e estava com vontade de escrever. Não acordou porque não havia dormido. Era outra coisa. O teto e a cômoda e a janela eram testemunhas e ele não havia dormido. E não sabia porque estava com vontade de escrever.
A própria idéia de escrever havia se tornado um câncer, com o qual estava habituado a conviver por quase dois anos. A princípio achara que era só um enjôo, uma coisa qualquer e o tratamento recomendado foi repouso. Precisava arejar as idéias, se deixar absorver pelo entorno do mundo. Pensava adquirir, consumir, engordar seu repertório.
Tinha vontade de escrever naquela época também, mas a dor martelava sua cabeça. Não podia ser uma coisa sem importância. Tinha de ser grande, importante, crucial. E era. Um câncer, uma ferida, uma chaga. Ficou obcecado: escreveria a qualquer custo, qualquer coisa. E não escreveu. Conformou-se em ver e ler e ouvir; sombras na parede, nuvens no céu, vozes ao vento. A própria idéia de escrever fazia seus olhos brilharem, mas sua cabeça doía, girava e a dor de se sentir impotente... esgotava sua pouca paciência.
Começou a se perder entre as palavras; o câncer crescia e ganhava espaço. Alimentava-se não de idéias, o desgraçado, mas de ânimo. Idéias tinha, aos montes, como moscas na carniça, como toques de um telefone frio e insensato, insistente. Era uma dor e um desejo de correr, a própria vontade de escrever.
Naquela manhã teve vontade de escrever, mas não escreveu, pela útlima vez. Não havia dormido. Era outra coisa. Era a total obliteração. Era morrer de sede no mar. Era saber tanto e conhecer tão pouco. Pela última vez a própria vontade de escrever foi outra coisa.
See ya
A própria idéia de escrever havia se tornado um câncer, com o qual estava habituado a conviver por quase dois anos. A princípio achara que era só um enjôo, uma coisa qualquer e o tratamento recomendado foi repouso. Precisava arejar as idéias, se deixar absorver pelo entorno do mundo. Pensava adquirir, consumir, engordar seu repertório.
Tinha vontade de escrever naquela época também, mas a dor martelava sua cabeça. Não podia ser uma coisa sem importância. Tinha de ser grande, importante, crucial. E era. Um câncer, uma ferida, uma chaga. Ficou obcecado: escreveria a qualquer custo, qualquer coisa. E não escreveu. Conformou-se em ver e ler e ouvir; sombras na parede, nuvens no céu, vozes ao vento. A própria idéia de escrever fazia seus olhos brilharem, mas sua cabeça doía, girava e a dor de se sentir impotente... esgotava sua pouca paciência.
Começou a se perder entre as palavras; o câncer crescia e ganhava espaço. Alimentava-se não de idéias, o desgraçado, mas de ânimo. Idéias tinha, aos montes, como moscas na carniça, como toques de um telefone frio e insensato, insistente. Era uma dor e um desejo de correr, a própria vontade de escrever.
Naquela manhã teve vontade de escrever, mas não escreveu, pela útlima vez. Não havia dormido. Era outra coisa. Era a total obliteração. Era morrer de sede no mar. Era saber tanto e conhecer tão pouco. Pela última vez a própria vontade de escrever foi outra coisa.
See ya
18.9.08
#Apocalipse
Há tempos eu não escrevia algo tão divertido. Corrigindo: há tempos eu não me divertia tanto escrevendo algo.
Sou o co-autor da primeira Twitter-Novela da história: #apocalipse
Se vc não faz idéia do que seja Twitter, não tem problema, pois você pode acompanhar toda a saga da primeira novela-de-micro-blogging do mundo clicando aqui. De qualquer forma, vc também pode conhecer melhor o Twitter, que é uma ótima ferramenta para a qual finalmente descobrimos uma utilidade.
A novela é de colaboração aberta, mas para colaborar, aí sim vc precisa de um usuário no Tuíto. Só lembrando que como um blog, a história está disposta do micro-capítulo mais recente para o mais antigo, ou seja, pra lerem do começo, vc tem de ir até a última página e voltar lendo.
E depois de ler tudo, ainda pode usar esse RSS pra acompanhar a trama em seu agregador de RSS favorito.
Os digníssimos autores de #apocalipse são: @dvespa, @lonefreak (este que vos fala), @maxwell_lord, @ila_coimbra, @Rhittmann e @krateria. Para os "não-iniciados", vc pode seguir os autores no Twitter, ou seja acompanhar suas postagens.
Acompanhem a intrigante trama do fim do mundo e suas baratas, humanos, zumbis, mutantes, padres entomófilos e muito, muito, muito sopão. E boa diversão.
See ya
Sou o co-autor da primeira Twitter-Novela da história: #apocalipse
Se vc não faz idéia do que seja Twitter, não tem problema, pois você pode acompanhar toda a saga da primeira novela-de-micro-blogging do mundo clicando aqui. De qualquer forma, vc também pode conhecer melhor o Twitter, que é uma ótima ferramenta para a qual finalmente descobrimos uma utilidade.
A novela é de colaboração aberta, mas para colaborar, aí sim vc precisa de um usuário no Tuíto. Só lembrando que como um blog, a história está disposta do micro-capítulo mais recente para o mais antigo, ou seja, pra lerem do começo, vc tem de ir até a última página e voltar lendo.
E depois de ler tudo, ainda pode usar esse RSS pra acompanhar a trama em seu agregador de RSS favorito.
Os digníssimos autores de #apocalipse são: @dvespa, @lonefreak (este que vos fala), @maxwell_lord, @ila_coimbra, @Rhittmann e @krateria. Para os "não-iniciados", vc pode seguir os autores no Twitter, ou seja acompanhar suas postagens.
Acompanhem a intrigante trama do fim do mundo e suas baratas, humanos, zumbis, mutantes, padres entomófilos e muito, muito, muito sopão. E boa diversão.
See ya
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