Por que me ufano
Sim, eu vou contar vantagem. Se não estiver a fim, passa amanhã.
Faz pouco menos de dez dias, o lugar em que eu trabalho recebeu um prêmio -- bem significativo, aliás -- de melhor empresa no seu formato de negócio. Guardadas as devidas proporções, a linha é "entrega de Oscar": todo o ritual, discursos, troféus, entrevista para programa da Globo, foto para jornal, essas coisas.
Mas o que me motivou a escrever aqui nem foi a premiação em si, mas as coisas que passaram pela minha cabeça em função dela. Essencialmente, fiquei me perguntando porque fomos os vencedores se, afinal de contas, não somos a maior empresa da área; ou a mais rica; ou "peixinho" de alguém poderoso; ou a única do segmento; ou, ou, ou...
Então veio a noite da entrega, em uma casa de shows sofisticada, com um jantar idem e todas as frescuras esperadas. E foi lá que tive o insight que me fez imaginar o principal motivo de termos sido premiados.
Para explicar isso, preciso descrever que são onze categorias de empresas, cada uma com um vencedor. E, destes, há um que é o grande ganhador dentre todas as categorias. No caso, nós :-) . Ah, e uma coisa bem interessante: o critério de maior peso para pontuação é a opinião que os franqueados têm sobre o trabalho do franqueador.
Depois dos discursos das "autoridades presentes" e do jantar já iniciado, foram sendo anunciados os vencedores em cada categoria. E a cada anúncio, as palmas previstas e o breve discurso do representante do ganhador. Até que chegou nossa categoria: as três mesas que ocupávamos fizeram a maior festa, com muito barulho e alegria (tínhamos inclusive aquelas cornetinhas infernais da Copa). Sabe a delegação do Brasil na abertura das Olimpíadas, em comparação com as dos outros países? Pois é.
Claro que, depois de nós, as outras vencedoras também começaram a ser mais ruidosas. E, ao final, quando anunciaram que éramos os melhores dentre os melhores, fizemos nova festa, ainda mais animada. Até foto com a língua no troféu nós tiramos (bando de adolescentes bobos heheh).
Tá, e o que isso tudo tem a ver com o tal insight? Tem a ver que, apesar de não termos um monte de grana, escritórios luxuosos, tecnologia avançadíssima, etc., que vários concorrentes têm, somos um grupo de pessoas que adoram o que fazem, onde fazem e com quem fazem. E isso percebe-se no nosso cotidiano -- que tem, sim, problemas, erros, excesso de trabalho, falta de instrumentos; mas que, no fim das contas, dá muito mais a sensação de realização do que de obrigação, e dá muito mais prazer do que encheção de saco.
Resumindo, esse prêmio -- que junta-se a vários outros, felizmente -- é uma forma de validação de um trabalho bem feito e feito com gosto. E, pessoalmente, é muito legal a sensação de que o que eu faço e a minha presença contribuíram para que isso acontecesse...
PS: Mudando de chuchu para abobrinha: sei que o assunto já esfriou, mas na mesma semana do ataque do PCC (ver post do Fabricio abaixo) estive no Rio de Janeiro. A princípio, imaginei que os cariocas usariam a oportunidade para "tirar barato de paulista", numas de "tá vendo como não é só aqui?". Para minha surpresa, o que aconteceu foi exatamente o contrário. As pessoas com quem conversei em vários contextos (colegas de trabalho, taxistas, pessoas na praia...) foram sem exceção solidárias, dizendo coisas como "que chato o que está acontecendo lá em São Paulo, né?". Ao despencar da minha mediocridade (!), achei legais as manifestações -- e me ocorreu que no Rio esse tipo de violência está de tal forma presente que já não dá para brincar com algo que faz sofrer tanto...
Coisas sérias e não sérias. Ácidas e às vezes doces. E outros comentários, como cinema, comportamento, literatura, etc...
12.6.06
Vem aqui que eu não quero nada
Daqui a pouco vou achar que você está me paquerando.
Eu estou.
Está?
Não deveria?
Acho que não.
Por que não?
Eu sou estranha. Não sou gente boa.
Bom, não é nada de mais. Só estava te paquerando.
Estava?
Estou.
Ah... olha, eu sou confusão.
Tudo bem, eu pago pra ver.
Não. Você não vai gostar. Se eu não estivesse tão bêbada, me afastaria de você.
Que bom que está bêbada, então. Eu poderia me aproveitar disso.
Não seria nada bom.
É, não seria.
...
...
Por que você está rindo?
Esse foi o fora mais estranho que eu já tomei.
Foi um fora?
Parece que foi, né?
Ah, eu sou muito estranha. Eu tenho meu canto, meus limites.
Relaxa, eu não vou invadir seu canto.
Que bom. Obrigada. Melhor você me deixar quieta.
Tudo bem.
...
...
Mas podemos nos falar, tá?
Ah, claro. Obrigado.
...
...
Você não pode ir embora assim, está muito bêbado. Eu estou bêbada e você, bêbado.
Empresta o sofá?
Empresto minha cama.
Não. Então melhor dividir a cama.
É... Eu não costumo sair por aí dividindo a cama.
Não parece mesmo que costuma.
...
Você está se cobrindo. Vai dormir aí no sofá?
Vou.
Eu estou ficando com frio.
Vem cá. Deita aqui comigo.
Melhorou. Vamos dormir assim? Você não se importa?
Não. Está bom. Quentinho. Mas não vou transar com você.
Relaxa, não estava esperando nada.
...
...
See Ya
Daqui a pouco vou achar que você está me paquerando.
Eu estou.
Está?
Não deveria?
Acho que não.
Por que não?
Eu sou estranha. Não sou gente boa.
Bom, não é nada de mais. Só estava te paquerando.
Estava?
Estou.
Ah... olha, eu sou confusão.
Tudo bem, eu pago pra ver.
Não. Você não vai gostar. Se eu não estivesse tão bêbada, me afastaria de você.
Que bom que está bêbada, então. Eu poderia me aproveitar disso.
Não seria nada bom.
É, não seria.
...
...
Por que você está rindo?
Esse foi o fora mais estranho que eu já tomei.
Foi um fora?
Parece que foi, né?
Ah, eu sou muito estranha. Eu tenho meu canto, meus limites.
Relaxa, eu não vou invadir seu canto.
Que bom. Obrigada. Melhor você me deixar quieta.
Tudo bem.
...
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Mas podemos nos falar, tá?
Ah, claro. Obrigado.
...
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Você não pode ir embora assim, está muito bêbado. Eu estou bêbada e você, bêbado.
Empresta o sofá?
Empresto minha cama.
Não. Então melhor dividir a cama.
É... Eu não costumo sair por aí dividindo a cama.
Não parece mesmo que costuma.
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Você está se cobrindo. Vai dormir aí no sofá?
Vou.
Eu estou ficando com frio.
Vem cá. Deita aqui comigo.
Melhorou. Vamos dormir assim? Você não se importa?
Não. Está bom. Quentinho. Mas não vou transar com você.
Relaxa, não estava esperando nada.
...
...
See Ya
15.5.06
São Paulo e o caos
São quatro e pouco da tarde e sou um dos últimos na empresa. Corredores vazios, silêncio, aqui dentro. Lá fora, quilômetros e quilômetros de congestionamento. Pessoas atulhadas e com medo.
Tudo começou com o boato do toque de recolher. O metrô vai fechar. Bancos explodindo. Armas disparadas. Setenta ônibus destruidos. Noventa mortos. Três letras: PCC.
Enquanto todas as pessoas seguem temerosas e quietas para casa, ouço todo tipo de boato possível: pessoas metralhadas nas ruas, bancos detonados, fechamento disso e daquilo. Algumas coisas eu consegui confirmar pela web ou ouvindo o site da CBN. Mas a maioria são mentiras deslavadas ou então ações isoladas de pessoas se aproveitando pra usar de vandalismo.
Eu temo sair daqui e seguir até aqui pertinho, até o local onde moro. Não pelo PCC, obviamente. Ontem à noite um policial segurando uma escopeta parou meu carro num bloqueio, encarou-me por alguns segundos como se fosse Charles Bronson e fez sinal para que eu seguisse. Hoje imagino o que estes policiais, tão mal treinados e desinformados quanto a maioria dos ignorantes e idiotas que habitam esta cidade, farão. Devem estar loucos para atirar em qualquer um que possam culpar.
Temo por mais e mais ataques vândalos e que ficarão impunes. Temo pelos imbecis e broncos que votaram a favor do comércio de armas no referendo e devem estar segurando seus pintos de ferro apontados para a vizinhança, que provavelmente está calma. Temo pelos ignorantes que vão lutar pra chegar em casa mais uma vez. Essa massa de manobra, junto da mídia, ameaçam muito mais nossas vidas do que qualquer ataque do PCC. Nosso inimigo, essa noite, é o medo.
E tirando o medo, não vejo mais nada acontecendo. Poucas coisas foram confirmadas. Não há toque de recolher, por exemplo. Existe, sim, violência e caos nas ruas. mas isso foi totalmente manipulado, seja pelo PCC, seja pela polícia, seja pela mídia.
Bom, acaba de chegar um gerente aqui, me tocando do escritório. Tenho de ir.
Boa sorte a todos e não acreditem em tudo que seus olhos e ouvidos captarem. Sejam críticos, e sejam espertos.
See Ya
São quatro e pouco da tarde e sou um dos últimos na empresa. Corredores vazios, silêncio, aqui dentro. Lá fora, quilômetros e quilômetros de congestionamento. Pessoas atulhadas e com medo.
Tudo começou com o boato do toque de recolher. O metrô vai fechar. Bancos explodindo. Armas disparadas. Setenta ônibus destruidos. Noventa mortos. Três letras: PCC.
Enquanto todas as pessoas seguem temerosas e quietas para casa, ouço todo tipo de boato possível: pessoas metralhadas nas ruas, bancos detonados, fechamento disso e daquilo. Algumas coisas eu consegui confirmar pela web ou ouvindo o site da CBN. Mas a maioria são mentiras deslavadas ou então ações isoladas de pessoas se aproveitando pra usar de vandalismo.
Eu temo sair daqui e seguir até aqui pertinho, até o local onde moro. Não pelo PCC, obviamente. Ontem à noite um policial segurando uma escopeta parou meu carro num bloqueio, encarou-me por alguns segundos como se fosse Charles Bronson e fez sinal para que eu seguisse. Hoje imagino o que estes policiais, tão mal treinados e desinformados quanto a maioria dos ignorantes e idiotas que habitam esta cidade, farão. Devem estar loucos para atirar em qualquer um que possam culpar.
Temo por mais e mais ataques vândalos e que ficarão impunes. Temo pelos imbecis e broncos que votaram a favor do comércio de armas no referendo e devem estar segurando seus pintos de ferro apontados para a vizinhança, que provavelmente está calma. Temo pelos ignorantes que vão lutar pra chegar em casa mais uma vez. Essa massa de manobra, junto da mídia, ameaçam muito mais nossas vidas do que qualquer ataque do PCC. Nosso inimigo, essa noite, é o medo.
E tirando o medo, não vejo mais nada acontecendo. Poucas coisas foram confirmadas. Não há toque de recolher, por exemplo. Existe, sim, violência e caos nas ruas. mas isso foi totalmente manipulado, seja pelo PCC, seja pela polícia, seja pela mídia.
Bom, acaba de chegar um gerente aqui, me tocando do escritório. Tenho de ir.
Boa sorte a todos e não acreditem em tudo que seus olhos e ouvidos captarem. Sejam críticos, e sejam espertos.
See Ya
9.5.06
Megalos
Se você pensa estar no topo, tanto melhor. A pancada vai ser mais forte quando você atingir o chão.
Vivemos no topo da cadeia alimentar, buscando subir na carreira profissional, crendo que do Alto virá a salvação. Sem questionar a influência da semântica em nossas aspirações e aspectos culturais, eu digo que é bastante comum encontrarmos pessoas "no topo", ou seja, satisfeitas com o que tem, ou usurpando termos maliciosamente cunhados, como "bem sucedido" ou "vencedor". Mais do que uma simples questão competitiva (que a natureza impõe a nós, quer gostemos ou não), a busca por essa "vitória" é muitas vezes o reflexo da necessidade de provar algo para alguém, ou um vício que mantemos para garantir que nos sintamos bem com nossas decisões, ou ainda outras coisas, como culpa ou compensação.
Vencer não é uma doença. Lutar inexoravelmente pela vitória, respirar constantemente os ares da auto-superação, do aprimoramento máximo, da autofagia orgulhosa, é. Pessoas assim precisam de ajuda. E correndo risco de não ajudar em nada, eu cito Raul Seixas:
Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa
Supere a si mesmo, vamos! Melhore a cada dia! Torne-se melhor e melhor e reze todo dia para o Papai do Céu, agradecendo o fato de você ter se adaptado a isso. Isso tudo, claro, antes de você contemplar o vazio e, por vezes, a culpa. E não é só isso. Muitas vezes é olhar e ver o quanto você ainda pode fazer por si mesmo e pelo outro. É olhar do topo(?) da sua vida e perceber que você não sabe responder nem as perguntas mais básicas, dentre as que realmente interessam. É perceber que o que supre, nem sempre sustenta e o que satisfaz, nem sempre resolve.
Chega disso, servo-controle! Sem essa de super planos para ser bem sucedido. Olhe para frente e veja o que te chama a atenção. Eu tenho amigo (da mesma idade que eu) casado, que será pai ainda esta semana. Eu tenho amigo (da mesma idade que eu) juntando dinheiro pra comprar casa e casar. Espero mesmo que eles estejam felizes em seus caminhos planejados para dar certo. Mas espero mais ainda que eles percebam logo que todos os caminhos dão certo, porque estamos indo todos numa única direção, queiramos ou não.
See Ya
Se você pensa estar no topo, tanto melhor. A pancada vai ser mais forte quando você atingir o chão.
Vivemos no topo da cadeia alimentar, buscando subir na carreira profissional, crendo que do Alto virá a salvação. Sem questionar a influência da semântica em nossas aspirações e aspectos culturais, eu digo que é bastante comum encontrarmos pessoas "no topo", ou seja, satisfeitas com o que tem, ou usurpando termos maliciosamente cunhados, como "bem sucedido" ou "vencedor". Mais do que uma simples questão competitiva (que a natureza impõe a nós, quer gostemos ou não), a busca por essa "vitória" é muitas vezes o reflexo da necessidade de provar algo para alguém, ou um vício que mantemos para garantir que nos sintamos bem com nossas decisões, ou ainda outras coisas, como culpa ou compensação.
Vencer não é uma doença. Lutar inexoravelmente pela vitória, respirar constantemente os ares da auto-superação, do aprimoramento máximo, da autofagia orgulhosa, é. Pessoas assim precisam de ajuda. E correndo risco de não ajudar em nada, eu cito Raul Seixas:
Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa
Supere a si mesmo, vamos! Melhore a cada dia! Torne-se melhor e melhor e reze todo dia para o Papai do Céu, agradecendo o fato de você ter se adaptado a isso. Isso tudo, claro, antes de você contemplar o vazio e, por vezes, a culpa. E não é só isso. Muitas vezes é olhar e ver o quanto você ainda pode fazer por si mesmo e pelo outro. É olhar do topo(?) da sua vida e perceber que você não sabe responder nem as perguntas mais básicas, dentre as que realmente interessam. É perceber que o que supre, nem sempre sustenta e o que satisfaz, nem sempre resolve.
Chega disso, servo-controle! Sem essa de super planos para ser bem sucedido. Olhe para frente e veja o que te chama a atenção. Eu tenho amigo (da mesma idade que eu) casado, que será pai ainda esta semana. Eu tenho amigo (da mesma idade que eu) juntando dinheiro pra comprar casa e casar. Espero mesmo que eles estejam felizes em seus caminhos planejados para dar certo. Mas espero mais ainda que eles percebam logo que todos os caminhos dão certo, porque estamos indo todos numa única direção, queiramos ou não.
See Ya
7.5.06
Ainda sobre máscaras
Este debate está bem interessante. Mas algo me diz que enquanto estamos aqui nessas reflexões, uma parte acachapante do mundo que nos cerca está a cada minuto tornando-se mais expert em máscaras, véus, (des)crenças e (des)valores...
Para ilustrar e ampliar nossa conversa, trago alguns textos que venho colecionando desde o início deste ano. O primeiro fala sobre o aumento progressivo de cirurgias plásticas entre jovens cada vez mais novos. Dentre outras "pérolas", este trecho: O cirurgião plástico Leonard Bannet, da clínica Santé, concorda com ela: "Uma garota que concorre no mercado amoroso quer ter um corpo compatível". Ele não vê problemas em contar, por exemplo, que já "lipou" jovens na faixa dos 14 anos. A coluna toda está aqui.
Na mesma época li outro texto, este sobre o trabalho de meninas de 13, 14 anos como modelos em desfiles de moda. Se estiver a fim, leia- o aqui (só a título de mais uma ilustração).
Mas eu já tinha até desistido de "chover no molhado" desse assunto. Aí pintou o debate aqui no QI e, ao mesmo tempo, uma reportagem sobre uma megabalada em um resort cinco estrelas para jovens "bem-nascidos" (!) ou, pelo menos, "bem-endinheirados". Um trecho dela: Bem, mas os "chatôs" pagaram de R$ 840 a R$ 2.490 por um fim de semana prolongado de festas à tarde e à noite -um total de dez horas em cada um dos três dias-, com pensão completa e direito a pular, gritar e arremessar objetos do quarto uns nos outros (um funcionário do hotel informa que foi preciso retirar os extintores de incêndio do corredor para evitar desenlaces tenebrosos). Se estiver a fim, leia o resto aqui. Vale a pena -- mas aviso que pode ser meio indigesto.
Depois de reler tudo isso, e considerando que já estou nesta vida há tempo suficiente para saber que são os filhos da elite que são sempre os "donos do poder", vocês hão de convir que dá para ter uma visão meio desanimadora do futuro... Coisas de quem está ficando velho, provavelmente. Só (mais) um adendo: havia uma música-símbolo da ditadura militar, da dupla Don e Ravel, chamada "Eu te amo meu Brasil" e cujo refrão terminava com "ninguém segura a juventude do Brasil". Socorro!
E o que isso tem a ver com o resto da conversa, afinal? Bom, na minha cabeça estranha, tem a ver com o fato de que as tais máscaras, tão bem exemplificadas nesses textos, estão tomando o lugar do que deveria haver sob elas em velocidade e intensidade estonteantes -- a ponto de eu ter a sensação que daqui a algum tempo elas serão a única e hegemônica referência. Fabricio fala do câncer da geração dele; do não-questionar; da felicidade à custa de antidepressivos e comerciais de TV. A pergunta que fica é: será que estamos condenados à convivência com essa referência dominante? Não me parece a melhor perspectiva do mundo... Alguém me arruma uma grana para uma lipo? ;-)
PS 1: De tanta coisa interessante que meu blogmate escreveu aí embaixo, o que achei mais curioso foi a opção pelo termo "artilharia". É, realmente é uma guerra. Surda, suja e violenta. Guerra, afinal.
PS 2: Só para deixar registrado, é claro que sei que nem todo mundo é como os nefastos personagens desses textos. Eu mesmo tenho a sorte de conhecer duas ou três pessoas bem jovens que têm outros valores -- e que infelizmente pagam um preço alto por isso.
PS 3: E para aproveitar a questão das máscaras sorridentes, recomendo o filme "V de Vingança" -- uma reflexão legal sobre valores, corrupção, ideais... e sobre o que pode significar uma máscara. Fica a dica.
Este debate está bem interessante. Mas algo me diz que enquanto estamos aqui nessas reflexões, uma parte acachapante do mundo que nos cerca está a cada minuto tornando-se mais expert em máscaras, véus, (des)crenças e (des)valores...
Para ilustrar e ampliar nossa conversa, trago alguns textos que venho colecionando desde o início deste ano. O primeiro fala sobre o aumento progressivo de cirurgias plásticas entre jovens cada vez mais novos. Dentre outras "pérolas", este trecho: O cirurgião plástico Leonard Bannet, da clínica Santé, concorda com ela: "Uma garota que concorre no mercado amoroso quer ter um corpo compatível". Ele não vê problemas em contar, por exemplo, que já "lipou" jovens na faixa dos 14 anos. A coluna toda está aqui.
Na mesma época li outro texto, este sobre o trabalho de meninas de 13, 14 anos como modelos em desfiles de moda. Se estiver a fim, leia- o aqui (só a título de mais uma ilustração).
Mas eu já tinha até desistido de "chover no molhado" desse assunto. Aí pintou o debate aqui no QI e, ao mesmo tempo, uma reportagem sobre uma megabalada em um resort cinco estrelas para jovens "bem-nascidos" (!) ou, pelo menos, "bem-endinheirados". Um trecho dela: Bem, mas os "chatôs" pagaram de R$ 840 a R$ 2.490 por um fim de semana prolongado de festas à tarde e à noite -um total de dez horas em cada um dos três dias-, com pensão completa e direito a pular, gritar e arremessar objetos do quarto uns nos outros (um funcionário do hotel informa que foi preciso retirar os extintores de incêndio do corredor para evitar desenlaces tenebrosos). Se estiver a fim, leia o resto aqui. Vale a pena -- mas aviso que pode ser meio indigesto.
Depois de reler tudo isso, e considerando que já estou nesta vida há tempo suficiente para saber que são os filhos da elite que são sempre os "donos do poder", vocês hão de convir que dá para ter uma visão meio desanimadora do futuro... Coisas de quem está ficando velho, provavelmente. Só (mais) um adendo: havia uma música-símbolo da ditadura militar, da dupla Don e Ravel, chamada "Eu te amo meu Brasil" e cujo refrão terminava com "ninguém segura a juventude do Brasil". Socorro!
E o que isso tem a ver com o resto da conversa, afinal? Bom, na minha cabeça estranha, tem a ver com o fato de que as tais máscaras, tão bem exemplificadas nesses textos, estão tomando o lugar do que deveria haver sob elas em velocidade e intensidade estonteantes -- a ponto de eu ter a sensação que daqui a algum tempo elas serão a única e hegemônica referência. Fabricio fala do câncer da geração dele; do não-questionar; da felicidade à custa de antidepressivos e comerciais de TV. A pergunta que fica é: será que estamos condenados à convivência com essa referência dominante? Não me parece a melhor perspectiva do mundo... Alguém me arruma uma grana para uma lipo? ;-)
PS 1: De tanta coisa interessante que meu blogmate escreveu aí embaixo, o que achei mais curioso foi a opção pelo termo "artilharia". É, realmente é uma guerra. Surda, suja e violenta. Guerra, afinal.
PS 2: Só para deixar registrado, é claro que sei que nem todo mundo é como os nefastos personagens desses textos. Eu mesmo tenho a sorte de conhecer duas ou três pessoas bem jovens que têm outros valores -- e que infelizmente pagam um preço alto por isso.
PS 3: E para aproveitar a questão das máscaras sorridentes, recomendo o filme "V de Vingança" -- uma reflexão legal sobre valores, corrupção, ideais... e sobre o que pode significar uma máscara. Fica a dica.
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