Guess who's back
Voltei. Não deveria ter voltado, mas voltei. Ainda não era hora de retomar o blog, mas retomei. E que se dane.
Isso aqui tava uma bagunça tremenda, mas melhorou um pouquinho. Pelo menos a mosca voltou. E aguardem novidades: eu e meu blogmate (vulgo, Marcelo) estamos juntando idéias pra modificações no blog. Fiquem atentos.
Fora isso, tenho milhões de coisas pra contar e escrever. Agradeço a paciência de vocês com o desleixo com que eu tava levando o blog e pelos 17 dias sem posts. Faz muito tempo que eu não pedia desculpas por demora e achei que agora, principalmente agora que descobri um pouco do tamanho da diferença que faço nos pensamentos de algumas pessoas, seria um momento adequado.
Pra comemorar o retorno, relato aqui um texto da série: Coisas que eu ouço na hora do almoço.
- Segunda feira deveria ser dia de folga.
- Concordo plenamente. Lembra daquela semana em que tivemos feriado na segunda feira? Então, na terça eu estava mais disposta só por ter ficado a segunda feira em casa. No domingo eu pensei: 'posso assistir o Fantástico inteiro, pois não vou trabalhar amanhã'.
Propenso a uma congestão cerebral, lembrei de um grande amigo meu que diz algo diante de citações como esta: NOSSA, QUE LEGAL!!!!!. Por isso vou transformar minha TV num aquário, e meus domingos em dias fantásticos.
See Ya
PS: Guess who's back. Back again. Fabricio is back. Tell a friend!!
Coisas sérias e não sérias. Ácidas e às vezes doces. E outros comentários, como cinema, comportamento, literatura, etc...
30.11.04
25.11.04
Epifanias
A notícia já não é nova, mas permanece especial: fui convidado para ser padrinho da Giulia, a primeira filha dos meus amigos Dani e Eric que vai chegar logo, logo; inclusive o chá-de-bebê foi no sábado passado. Inicialmente diziam que ela nasceria no começo de janeiro, mas algo me diz que essa menina não vai querer perder o movimento do final de ano...
Em primeiro lugar, fiquei muito honrado com o convite -- e sei que falo também em nome da minha "sócia" na afilhada, a Silvia. Isso porque não há aqui laços de parentesco que tenham que ser contemplados ou "obrigações" que tenham que ser pagas. Ou seja, é por afeto e pronto.
A outra coisa, de um simbolismo acachapante (lá vamos nós...), tem a ver com o tal do gasto, roto, esfarrapado e utópico "para sempre". Recebi o convite pouco tempo depois de escrever aquele post doente de tão amargo chamado "Um Ano". Quem leu deve se lembrar. Pois bem, aquela história toda me deixou meio descrente de que algo pode durar para sempre -- ou, pelo menos, durar muito. Devido inclusive à minha história familiar, sempre fui meio cético com essas coisas longevas, mas aquela me pareceu uma situação em que o imponderável usa de seus meios para nos fazer reconsiderar algo. A princípio achei que fosse o caso, portanto resolvi abdicar do ceticismo e dar uma chance ao tal do para sempre. Com a sujeira toda, dancei (c.q.d.) e ensaiei uma volta ao "skeptical-mode".
Só que aí surgiu esse lance da Giulia, que, convenhamos, é uma responsabilidade e tanto (para quem leva a coisa a sério). E conceitualmente é para sempre. E ainda veio justo de quem veio. Simbólico desde a raiz...
Então tive a -- tardia, mas válida -- epifania de que a gente tem vários "para sempres" a considerar. Uns duram mais, outros duram menos, outros sequer começam. A questão é ter a sensibilidade, ou a complacência, de deixar virem e estabelecer os laços certos. Enfim, estou muito feliz com essa história toda. E, claro, me sentindo mais velho um pouquinho, afinal, isso é muito "adulto", nénão? ;-)
Dani e Eric, meus novos compadres, obrigado mais uma vez pelo convite. E Silvia, ter você como companheira nessa "missão" me deixa muito tranqüilo e satisfeito.
PS 1: Esse post é também dedicado ao Pedro, meu primeiro e lindo afilhado que mês que vem completa dois anos. Pedro e suas irmãs são presentes que ganhei de uma amiga muito especial. Aliás, amiga não: a irmã querida que não nasceu dos meus pais mas o destino garantiu que convivêssemos.
PS 2: E falando em epifanias, em suas férias o meu "blogmate" Fabricio teve uma sobre o alcance que um blog -- ou melhor, este blog -- pode ter na vida das pessoas. Mas não vou sacanear com o rapaz. Deixa ele contar os detalhes ;-). Logo ele estará de volta com seus textos inconfundíveis (ouço alguns "graças a Deus"? heheh).
PS 3: Pronto, Vanessa, tem post novo. Tá feliz agora? Até que o Fabricio me deixou a casa livre para dar umas festinhas, mas andei meio devagar...
PS 4: Daqui a pouco o PS vai ficar ainda mais longo que o texto. Parece o blog de um certo amigo meu (né, Celso? Aproveitando: boa sorte no domingo!)
PS 5: Fim :-)
A notícia já não é nova, mas permanece especial: fui convidado para ser padrinho da Giulia, a primeira filha dos meus amigos Dani e Eric que vai chegar logo, logo; inclusive o chá-de-bebê foi no sábado passado. Inicialmente diziam que ela nasceria no começo de janeiro, mas algo me diz que essa menina não vai querer perder o movimento do final de ano...
Em primeiro lugar, fiquei muito honrado com o convite -- e sei que falo também em nome da minha "sócia" na afilhada, a Silvia. Isso porque não há aqui laços de parentesco que tenham que ser contemplados ou "obrigações" que tenham que ser pagas. Ou seja, é por afeto e pronto.
A outra coisa, de um simbolismo acachapante (lá vamos nós...), tem a ver com o tal do gasto, roto, esfarrapado e utópico "para sempre". Recebi o convite pouco tempo depois de escrever aquele post doente de tão amargo chamado "Um Ano". Quem leu deve se lembrar. Pois bem, aquela história toda me deixou meio descrente de que algo pode durar para sempre -- ou, pelo menos, durar muito. Devido inclusive à minha história familiar, sempre fui meio cético com essas coisas longevas, mas aquela me pareceu uma situação em que o imponderável usa de seus meios para nos fazer reconsiderar algo. A princípio achei que fosse o caso, portanto resolvi abdicar do ceticismo e dar uma chance ao tal do para sempre. Com a sujeira toda, dancei (c.q.d.) e ensaiei uma volta ao "skeptical-mode".
Só que aí surgiu esse lance da Giulia, que, convenhamos, é uma responsabilidade e tanto (para quem leva a coisa a sério). E conceitualmente é para sempre. E ainda veio justo de quem veio. Simbólico desde a raiz...
Então tive a -- tardia, mas válida -- epifania de que a gente tem vários "para sempres" a considerar. Uns duram mais, outros duram menos, outros sequer começam. A questão é ter a sensibilidade, ou a complacência, de deixar virem e estabelecer os laços certos. Enfim, estou muito feliz com essa história toda. E, claro, me sentindo mais velho um pouquinho, afinal, isso é muito "adulto", nénão? ;-)
Dani e Eric, meus novos compadres, obrigado mais uma vez pelo convite. E Silvia, ter você como companheira nessa "missão" me deixa muito tranqüilo e satisfeito.
PS 1: Esse post é também dedicado ao Pedro, meu primeiro e lindo afilhado que mês que vem completa dois anos. Pedro e suas irmãs são presentes que ganhei de uma amiga muito especial. Aliás, amiga não: a irmã querida que não nasceu dos meus pais mas o destino garantiu que convivêssemos.
PS 2: E falando em epifanias, em suas férias o meu "blogmate" Fabricio teve uma sobre o alcance que um blog -- ou melhor, este blog -- pode ter na vida das pessoas. Mas não vou sacanear com o rapaz. Deixa ele contar os detalhes ;-). Logo ele estará de volta com seus textos inconfundíveis (ouço alguns "graças a Deus"? heheh).
PS 3: Pronto, Vanessa, tem post novo. Tá feliz agora? Até que o Fabricio me deixou a casa livre para dar umas festinhas, mas andei meio devagar...
PS 4: Daqui a pouco o PS vai ficar ainda mais longo que o texto. Parece o blog de um certo amigo meu (né, Celso? Aproveitando: boa sorte no domingo!)
PS 5: Fim :-)
8.11.04
O Ressurreto
Pois conheci as profundezas e aprendi que eram minhas próprias profundezas que eu visitava.
Pois não há Deus ou Diabo além de você mesmo.
Pois não há vida ou sentido a não ser aqueles que você mesmo constrói.
E posto que tudo que há de sagrado está ligado a Deus ou ao Diabo, não há nada mais sagrado do que conhecer a si próprio e aprender todos os limites que qdeixamos nos vencer simplesmente por acreditarmos que o limite existia.
Morri. E desci ao inferno. De dentro de um corredor escuro, silencioso e vazio, ressuscitei. E ressurreto, entendi enfim o que havia odorrido. Na verdade não me deixaram ficar por lá. O próprio Capeta veio bater um papo comigo: "Filho", ele disse, "tenho duas coisas pra te dizer: você deve ser uma pessoa melhor de agora em diante. Não quero saber de te ver aqui de novo". Eu seria muito arrogante em dizer que ele disse isso com medo... o cara é o Diabo, né?
Aí continuou: "E a segunda coisa é que com a reeleição do Bush isso aqui não tem a mesma graça. Lá na Terra tá bem mais infernal."
Mas depois ele me disse que é Republicano, no fundo. Ainda falou da recente invasão de jogadores de futebol... É cada semana um... o Pazuzu, um demônio gente boa de lá, comentou que vão ampliar o estádio local.
E falando em local, o lugar é lindo. Aquele papo de piras, gente queimando em gordura fervente é intriga da oposição. Infra-estrutura impecável. Já trabalhei em lugares bem piores. A ala para evangélicos é perfeita: distribuem bíblias na porta. Ouvi dizer que nessas bíblias as referências a Deus vem grifadas, que é pra todo mundo lá lembrar como é "bondoso" o Grande Pai. Sei lá, o Capeta nem parece guardar rancor.
Mas aí ele não quis mesmo que eu ficasse. Disse que a praga de mestres e jogadores de RPG também está infernal e eles não tem mesas pra todo mundo.
Morri num domingo chuvoso e acordei sob o sol da segunda feira.
É bom estar de volta.
See Ya All
Pois conheci as profundezas e aprendi que eram minhas próprias profundezas que eu visitava.
Pois não há Deus ou Diabo além de você mesmo.
Pois não há vida ou sentido a não ser aqueles que você mesmo constrói.
E posto que tudo que há de sagrado está ligado a Deus ou ao Diabo, não há nada mais sagrado do que conhecer a si próprio e aprender todos os limites que qdeixamos nos vencer simplesmente por acreditarmos que o limite existia.
Morri. E desci ao inferno. De dentro de um corredor escuro, silencioso e vazio, ressuscitei. E ressurreto, entendi enfim o que havia odorrido. Na verdade não me deixaram ficar por lá. O próprio Capeta veio bater um papo comigo: "Filho", ele disse, "tenho duas coisas pra te dizer: você deve ser uma pessoa melhor de agora em diante. Não quero saber de te ver aqui de novo". Eu seria muito arrogante em dizer que ele disse isso com medo... o cara é o Diabo, né?
Aí continuou: "E a segunda coisa é que com a reeleição do Bush isso aqui não tem a mesma graça. Lá na Terra tá bem mais infernal."
Mas depois ele me disse que é Republicano, no fundo. Ainda falou da recente invasão de jogadores de futebol... É cada semana um... o Pazuzu, um demônio gente boa de lá, comentou que vão ampliar o estádio local.
E falando em local, o lugar é lindo. Aquele papo de piras, gente queimando em gordura fervente é intriga da oposição. Infra-estrutura impecável. Já trabalhei em lugares bem piores. A ala para evangélicos é perfeita: distribuem bíblias na porta. Ouvi dizer que nessas bíblias as referências a Deus vem grifadas, que é pra todo mundo lá lembrar como é "bondoso" o Grande Pai. Sei lá, o Capeta nem parece guardar rancor.
Mas aí ele não quis mesmo que eu ficasse. Disse que a praga de mestres e jogadores de RPG também está infernal e eles não tem mesas pra todo mundo.
Morri num domingo chuvoso e acordei sob o sol da segunda feira.
É bom estar de volta.
See Ya All
4.11.04
FABRICIO VAI MORRER NO DOMINGO
Bom, segundo as ultimas previsões e predições eu vou morrer neste domingo, dia 07/11. Não sei a hora, obviamente, mas se você quer garantir uma segunda feira de folga, vai poder ir no velório e posterior cremação. Contudo, já devem anotar que no dia 14 deve ocorrer a missa de sétimo dia, sem meu consentimento, obviamente... hehehehe
Mais detalhes vocês podem obter com a minha família e amigos, depois do ocorrido, ou se tiverem muita pressa, podem me escrever. Se eu ainda estiver vivo, eu respondo. =)
Foi bom conhecer a maioria de vcs. =)
See Ya
PS: ahh se alguém quiser deixar alguma mensagem pra algum falecido que esteja no céu, esquece. Meu caminho passa loooonge de lá. =)
Bom, segundo as ultimas previsões e predições eu vou morrer neste domingo, dia 07/11. Não sei a hora, obviamente, mas se você quer garantir uma segunda feira de folga, vai poder ir no velório e posterior cremação. Contudo, já devem anotar que no dia 14 deve ocorrer a missa de sétimo dia, sem meu consentimento, obviamente... hehehehe
Mais detalhes vocês podem obter com a minha família e amigos, depois do ocorrido, ou se tiverem muita pressa, podem me escrever. Se eu ainda estiver vivo, eu respondo. =)
Foi bom conhecer a maioria de vcs. =)
See Ya
PS: ahh se alguém quiser deixar alguma mensagem pra algum falecido que esteja no céu, esquece. Meu caminho passa loooonge de lá. =)
28.10.04
"Enobrece o homem"?
*** ATENÇÃO: Assim como às vezes pinta post pra baixo, de vez em quando também rola texto Polyanna. Este é o caso. Se você não está a fim... bom... you know the drill ;-) ***
Freqüentemente leio certas coisas e fico traçando paralelos com a minha vida. (Grande novidade, todo mundo faz isso. Dããã!) Faz um tempinho, li uma coluna das divertidíssimas meninas do 02 Neurônio no Folhateen em que elas falavam sobre trampo em escritório e o confinamento que isso significa.
Aí fiquei pensando no meu trabalho. Sendo originalmente professor, passei vários anos na sala de aula. E, já há outros tantos, estou durante a maior parte do tempo dentro de um escritório, com mesa, telefone, computador e tudo o mais. Mas a diferença entre a minha percepção e o que elas descrevem é que eu não me sinto confinado (nem freqüento restaurante por quilo em grupinhos falando mal do chefe heheh). Muito pelo contrário: gosto de estar lá.
Essa é uma área da minha vida em que tenho bastante sorte. Faço o que gosto, onde gosto e com quem gosto -- e isso há um booom tempo. Trabalho com educação, com professores, coordenadores, etc, o que é minha opção. Meu escritório não fica em um daqueles prédios sofisticadíssimos da Berrini que parecem cofres, mas da minha janela vejo árvores em três tons de verde e obras de arte para todo lado (em plena Av. Nove de Julho). E, sobretudo, convivo com pessoas com quem compartilho não só um trabalho legal, mas as conquistas, as frustrações, as coisinhas pequenas do cotidiano, o mecânico, o cortineiro, os planos, as idéias, a história e as gargalhadas genuínas. Como diz uma delas: "o trabalho é o esperado, mas a amizade é bônus".
Nosso cotidiano juntos não é só a definição de um projeto. É a escolha do nome do bebê que vem por aí. Não é só a reunião. É o convite para a celebração das Bodas de Prata (!). Não é só uma viagem de negócios, é o almoço regado a risadas e filosofia de boteco entre uma parte e outra do dia. Tenho o prazer de conviver com pessoas que, hoje ou ontem, aqui em S. Paulo ou da Bahia ao Rio Grande do Sul, passando pelo Rio de Janeiro e Santa Catarina (viva a tecnologia!), me desafiam, me fazem exercitar a massa cinzenta, acolhem meu mau-humor, dão risada comigo e comungam de boa parte do meu jeito de estar no mundo.
Agora, calma lá: isso não quer dizer que não haja problemas, chateações, brigas, saco cheio. Tem trabalho demais? Tem. E, meu Deus, como! Tem grana de menos e gente de menos? Tem também. Tem gente que sacaneia? De vez em quando tem -- mas essas acabam indo embora, felizmente. Tem computador que pifa? Impressora que come papel? Tem tudo isso. Mas o saldo é bem positivo. Não só por causa do que mencionei lá em cima, mas também porque acreditamos no que fazemos, em como o fazemos e nos valores que sustentam isso.
Durante algum tempo fiquei pensando se isso não era o "jogo do contente" que eu usava para esconder que eu era bundão e não tinha peito para procurar outras paragens. Mas, depois de passar por vários desafios dentro do mesmo lugar, concluí que é por vontade, mesmo. Primeiro, porque conheço o valor e o potencial do meu trabalho. Depois, e sobretudo, porque há um limite para o quanto você consegue enganar a si mesmo sobre um lugar onde passa mais de um terço dos seus dias durante anos e anos.
Bom, depois dessa ode toda, o contraponto: sei que o meu caso não é um dos mais comuns. Muita gente trabalha sob níveis desumanos de estresse, não faz exatamente o que gosta e lida com situações além do suportável (vide meu companheiro de blog heheh). Mas, se eu puder dar uma dica -- tão óbvia quanto pouco realizada -- é procurar fazer algo que dá prazer. Não só no trabalho, mas também fora dele. Um trabalho voluntário, um blog para escrever, um esporte legal, um filho que encha os olhos e o coração, uma viagem acalentada, sei lá. Invente o seu ;-)
O que não dá é para se deixar consumir pelo trabalho como se ele fosse um daqueles espremedores de laranja que só deixam o bagaço depois. E isso é "facinho, facinho" de acontecer. Mesmo eu, que adoro o que faço, tenho outras atividades para não ficar oco sem ele. Se não, quando você vê, sua vida foi detonada pelo trabalho e não sobrou mais nada. Lembre-se que, cedo ou tarde, ele vai e você fica. Quer ficar como?
*** ATENÇÃO: Assim como às vezes pinta post pra baixo, de vez em quando também rola texto Polyanna. Este é o caso. Se você não está a fim... bom... you know the drill ;-) ***
Freqüentemente leio certas coisas e fico traçando paralelos com a minha vida. (Grande novidade, todo mundo faz isso. Dããã!) Faz um tempinho, li uma coluna das divertidíssimas meninas do 02 Neurônio no Folhateen em que elas falavam sobre trampo em escritório e o confinamento que isso significa.
Aí fiquei pensando no meu trabalho. Sendo originalmente professor, passei vários anos na sala de aula. E, já há outros tantos, estou durante a maior parte do tempo dentro de um escritório, com mesa, telefone, computador e tudo o mais. Mas a diferença entre a minha percepção e o que elas descrevem é que eu não me sinto confinado (nem freqüento restaurante por quilo em grupinhos falando mal do chefe heheh). Muito pelo contrário: gosto de estar lá.
Essa é uma área da minha vida em que tenho bastante sorte. Faço o que gosto, onde gosto e com quem gosto -- e isso há um booom tempo. Trabalho com educação, com professores, coordenadores, etc, o que é minha opção. Meu escritório não fica em um daqueles prédios sofisticadíssimos da Berrini que parecem cofres, mas da minha janela vejo árvores em três tons de verde e obras de arte para todo lado (em plena Av. Nove de Julho). E, sobretudo, convivo com pessoas com quem compartilho não só um trabalho legal, mas as conquistas, as frustrações, as coisinhas pequenas do cotidiano, o mecânico, o cortineiro, os planos, as idéias, a história e as gargalhadas genuínas. Como diz uma delas: "o trabalho é o esperado, mas a amizade é bônus".
Nosso cotidiano juntos não é só a definição de um projeto. É a escolha do nome do bebê que vem por aí. Não é só a reunião. É o convite para a celebração das Bodas de Prata (!). Não é só uma viagem de negócios, é o almoço regado a risadas e filosofia de boteco entre uma parte e outra do dia. Tenho o prazer de conviver com pessoas que, hoje ou ontem, aqui em S. Paulo ou da Bahia ao Rio Grande do Sul, passando pelo Rio de Janeiro e Santa Catarina (viva a tecnologia!), me desafiam, me fazem exercitar a massa cinzenta, acolhem meu mau-humor, dão risada comigo e comungam de boa parte do meu jeito de estar no mundo.
Agora, calma lá: isso não quer dizer que não haja problemas, chateações, brigas, saco cheio. Tem trabalho demais? Tem. E, meu Deus, como! Tem grana de menos e gente de menos? Tem também. Tem gente que sacaneia? De vez em quando tem -- mas essas acabam indo embora, felizmente. Tem computador que pifa? Impressora que come papel? Tem tudo isso. Mas o saldo é bem positivo. Não só por causa do que mencionei lá em cima, mas também porque acreditamos no que fazemos, em como o fazemos e nos valores que sustentam isso.
Durante algum tempo fiquei pensando se isso não era o "jogo do contente" que eu usava para esconder que eu era bundão e não tinha peito para procurar outras paragens. Mas, depois de passar por vários desafios dentro do mesmo lugar, concluí que é por vontade, mesmo. Primeiro, porque conheço o valor e o potencial do meu trabalho. Depois, e sobretudo, porque há um limite para o quanto você consegue enganar a si mesmo sobre um lugar onde passa mais de um terço dos seus dias durante anos e anos.
Bom, depois dessa ode toda, o contraponto: sei que o meu caso não é um dos mais comuns. Muita gente trabalha sob níveis desumanos de estresse, não faz exatamente o que gosta e lida com situações além do suportável (vide meu companheiro de blog heheh). Mas, se eu puder dar uma dica -- tão óbvia quanto pouco realizada -- é procurar fazer algo que dá prazer. Não só no trabalho, mas também fora dele. Um trabalho voluntário, um blog para escrever, um esporte legal, um filho que encha os olhos e o coração, uma viagem acalentada, sei lá. Invente o seu ;-)
O que não dá é para se deixar consumir pelo trabalho como se ele fosse um daqueles espremedores de laranja que só deixam o bagaço depois. E isso é "facinho, facinho" de acontecer. Mesmo eu, que adoro o que faço, tenho outras atividades para não ficar oco sem ele. Se não, quando você vê, sua vida foi detonada pelo trabalho e não sobrou mais nada. Lembre-se que, cedo ou tarde, ele vai e você fica. Quer ficar como?
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