1.9.04

Evangélico é o demônio

TV é coisa do capeta. RPG é coisa do capeta. Homossexualismo é coisa do capeta. Tudo que não satisfaça os preceitos preconceituosos e ignorantes ou então não renda dinheiro pros dirigentes das igrejas é coisa do capeta. Pois se tem uma coisa que é próprio do demônio é a forma como essas igrejas se comportam.

Posso estar generalizando, é verdade, mas no fundo não faz muita diferença, porque igreja de enganar otário é tudo igual. É sempre a mesma ladainha, as mesmas caras mentirosas se escondendo atrás de um livro que já foi mais revirado que garotinha de 15 anos estuprada e morta, jogada no meio da estrada: a Bíblia. Aliás, parece que fazem exatamente isso com o tal livro sagrado.

Gente pobre (mas no fundo rica também) e ignorante (isso com certeza) é um prato cheio pra essas aves de rapina que comandam as igrejas evangélicas (e os católicos calem a boca, porque pelo menos até agora eu não vi os evangélicos queimarem ninguém na fogueira). Gente sem esperança, ou que já aprontou mais do que podia aguentar acotovelam-se nesses templos faraônicos ou em salinhas onde ficam gritando cânticos sem nem entender o que diz a letra (como se fizesse diferença também, com tamanha estupidez de quem as compõe e escolhe). E os administradores contam com tamanha cara de pau e falsa ideologia, levando todo esse bando de ignorantes a acreditar e decidir colaborar com eles. Dinheiro pode comprar o paraíso, ou sua vida pode se tornar um inferno. A escolha é sua.

Distorcem as escrituras a seu favor, cobram por serviços totalmente inventados, armam circos pra sustentar suas vigarices e ainda por cima se acham os donos da verdade. Usam de palavras bonitas, passagens decoradas de seu estuprado livro sagrado e com isso fazem com que os cordeiros sigam seu caminho em direção a uma salvação mentirosa e enchem os bolsos com isso. Nada contra ganhar dinheiro, claro,
mas fazer isso em cima da crença dos outros é que me deixa louco.


Certamente eu vou queimar nas chamas eternas de Satanás. E a maior merda vai ser ouvir, no inferno, os choramingos desses evangélicos idiotas que compraram gato por lebre e seus pastores que venderam suas almas pro capeta quando enganaram os inocentes (?) e ignorantes.

See Ya

PS: dedico este texto a Cesar Senatore, o cara que me inspirou a escrever este texto por ousar dizer certas coisas. =)

31.8.04

Quem mata quem?

Lá vai uma mensagem da série "abrindo o coração" heheh... É longa e o assunto é chato, portanto fiquem à vontade para ignorá-la solemente.


A questão é que estou me sentindo especialmente mal com essa história dos moradores de rua aqui de São Paulo sendo feridos e mortos a cacetadas. Morando nesta cidade há algum tempo, ficamos muito expostos a diversas formas de violência e corremos o risco de acabar por incorporá-las à paisagem cotidiana.

Particularmente, vinha pensando sobre a (cruel) motivação que leva alguém a sair de casa ou de onde quer que seja no meio da madrugada para descer o cacete em quem, em geral, pelo menos na minha visão, não representa grandes riscos - e não tem de si e consigo quase nada além do corpo combalido que envolve sua alma, espírito, personalidade ou o nome que queiram dar.

Aí li duas colunas na Folha nesta semana que me ajudaram nesta reflexão - imperfeita e, de forma alguma, tranqüilizadora ou curativa. Muito pelo contrário.

A primeira coluna, de quarta-feira passada, é do
Gilberto Dimenstein
e trata das ações e reações de um pai e de um filho envolvidos no seqüestro deste último e do irmão. A outra é de quinta-feira, do Contardo Calligaris - sempre ele -, e traça uma possível idéia sobre quem está cometendo essas barbaridades contra os moradores de rua.

Depois de ler ambos os textos e pensar sobre eles, percebo como o ser humano pode estar/oscilar em vários e tantos pontos do espectro entre o vil e o nobre. Tá, isso é óbvio, mas a grande pergunta que me fica é: O que faz as pessoas agirem a partir do ponto A ou B deste gradiente?

Somando a isso minha própria experiência, parece-me que até os mais afortunados de nós já tivemos o desprazer de lidar com gente que simplesmente é sacana, não é? Atire a primeira pedra que nunca foi ferrado por pessoas próximas e que, aparentemente, mereciam total confiança.

Só que, mesmo aí, vejo algumas diferenças: já levei porrada de gente cuja única reação à ameaça ou ao perigo é ser "do mal". Gente que não sabe, ou não sabia, defender-se de outro modo. Mais que raiva, o que eu sinto em casos assim é pena - pelo menos no longo prazo.

No entanto, também já me ferrei com gente que é ruim porque é ruim e ponto. Pode-se especular que é porque foram abandonados à própria sorte (emocional) desde sempre; ou porque foram rejeitados desde a concepção; ou porque o DNA é estragado por hereditariedade; ou porque são sacanas e fim, sei lá.

E são esses que me preocupam mais. Preocupam porque, por mais que tentem passar a vida inteira "contornando" o olhar para dentro de si mesmos, o tal do inconsciente é fogo: um belo dia ele pega a gente distraído e segura o espelho na frente de um jeito que não dá para desviar ou fechar os olhos. Aí, quando o cara é sangue-podre, a dor da imagem refletida é tanta que ele vai lá e mata fora aquilo que o dilacera e ele não consegue matar dentro...

Bom, espero que realmente queiramos e consigamos um jeito de tomar conta da nossa cidade e de nós mesmos (em mais de um sentido). Pode ser como sonha o Calligaris, ou não. Mas algo temos que fazer. E já. E juntos.

Oi... Dá licença? Pode entrar?

Sábado passado, quando, no meio de uma conversa, o Fabricio me convidou para vir para cá, confesso que fiquei tão surpreso quanto orgulhoso.

Surpreso porque, conceitualmente, sempre achei que blog fosse uma coisa individual, ou solitária, como queiram. E, na minha insegurança de quase-analfabeto tecnológico, fico feliz que dê para fazer isso de forma coletiva, mesmo que seja um coletivo de dois :-)

Já o orgulhoso é porque acompanho o Quando Isso desde que ele nasceu, e sempre o achei um dos lugares mais inteligentes e interessantes da Internet. Independentemente de (ou justamente por causa de) ser do Fabricio - um excelente anfitrião, apesar de ele ficar tentando nos convencer que não é de fácil convivência. Resumindo, estou "cheio de si" heheh

Bom, feita a "rasgação de seda", já aviso que vocês vão perceber que são estilos diferentes, gêneros diferentes e olhares diferentes; ou seja, com todas as dores e delícias da diversidade tão necessária.

Agradeço as boas-vindas que já pintaram; acolho e compreendo a decepção de quem não esperava essa novidade e não gostou dela; e espero não perturbar muito o outro morador e os visitantes desta casa. Comentários, idéias, broncas, polêmicas, choro, risos e o que mais pintar são, claro, sempre bem-vindos.

E, para "terminar esse começo", vou postar em seguida o texto que acabou culminando com a minha presença aqui. Espero que tenha algum impacto. Qualquer que seja ele.

28.8.04

Featuring

Há muito tempo eu vago por estas terras blogueiras, cercado de moscas e também de amigos (novos e velhos, reais e virtuais). Já é um caminho longo e sempre solitário, porque sempre quis mantê-lo assim. Caminhei sozinho no Quando Isso, mas felizmente também pude ver que poderia receber uma contribuição valiosa, de um amigo de longa data e cujos textos, embora ainda ocultos em listas de discussão e e-mail pessoais, sempre me agradaram muito.

É com prazer que o Quando Isso Virar um Blog recebe como escritor meu amigo Marcelo Barros. Cara, seja bem-vindo e que seus textos possam voar livremente por aqui, como os meus também voaram e continuarão voando.

E quanto a vocês, leitores, não peguem leve. Tenham com o Marcelo a mesma crítica, mas também o mesmo carinho que sempre dedicaram a mim. Ele agüenta o tranco, eu aposto. E acostumem-se com o novo morador. Cuidado para não saírem pelados do banheiro, esquecendo-se que agora esta é uma casa de dois. =)

See Ya

27.8.04

Vício de personalidade

Você pode não perceber, mas milhões de reações bioquímicas acontecem no seu corpo e especialmente em seu cérebro enquanto você executa qualquer ação. Essas reações é que determinam, em maior ou menor grau, quais serão os pensamentos que atingirão seu córtex e quais nunca deixarão de ser apenas uma ligação covalente entre átomos dentro de você. As que atingirem seu córtex determinarão suas atitudes, sejam elas em concordância, ou discordância com o pensamento gerado.

Como máquinas biológicas desprovidos de qualquer outra forma de entender o mundo que não com nossos olhos e sentidos de máquina biológica, acabamos por perceber que tudo isso é sobre recompensas. Estímulo e resposta. Você, ou eu, não é mais do que isso. Se uma atitude gera uma recompensa, ela volta a acontecer. é simples assim. Esqueça a parafernália genética que se multiplica dentro de você. São suas atitudes que estão em foco aqui. Elas existem para te dar prazer, para te satisfazer e para garantir que seus genes possam um dia gerar outra criatura parecida com você. Contudo, e como em toda máquina, uma falha deveria existir.

Se a tal atitude gera uma recompensa limitada, que não propicia exatamente prazer ou satisfação ou mesmo propagação da espécie, mas mesmo assim atinge certos centros nervosos no cérebro que permitem alívio ou afastamento de uma realidade psicológica que você não quer enfrentar no momento, todo o milagre da evolução vai pra lata de lixo, e você se vicia naquilo. A evolução cometeu um erro sistemático permitindo que encontrássemos na negação da existência o mesmo prazer que vivenciamos quando vivemos plenamente. Agradeça por isso todos os dias em suas orações, pois são os vícios que mantém o mundo girando, na maior parte do tempo.

Da compulsão mais leve à dependência química mais violenta e avassaladora, todos nós temos uma conexão mais do que íntima com nossos vícios. Por vezes eles chegam a nos definir, e em outras chances, nos envergonhar e destruir. Entretanto, vícios são os filtros colocados diantes de nossos olhos por nós mesmos para que tentemos distorcer a realidade de forma a deixá-la mais aceitável.

Quais são seus vícios? Você já se encheu de trabalho e coisas pra fazer só pra ter a sensação de que estava chegando a algum lugar? Já roeu unhas até seus dedos sangrarem? Já se entorpeceu até que seu universo todo fosse um banheiro sujo com a porta emperrada? Venha. Junte-se ao clube e aproveite pra mandar as reuniões de controle anônimo de vícios pro inferno, antes que elas se tornem seu próximo vício.

Talvez você possa se viciar em heroína pra se livrar da morfina. Você pode se viciar em Jesus pra esquecer seus pecados e deslizes. Pode se viciar em remédios pra escapar de seu vício em stress. Mas no fundo, vai ficar pulando de vício em vício até se encontrar naquele momento final em que toda a realidade vem à tona e
você é só mais um pedaço frio e rijo de carne e ossos. Eu digo: aproveite seus vícios e ria dos que são completamente viciados em dizer que não têm vícios.

See Ya

PS: dedico esse texto a todos aqueles que encontraram na fuga da realidade um mundo muito mais confortante e real.