16.8.04

Eu também sou Curupira

Meus pés apontam para trás, mas meus olhos encaram o futuro.
O cabelo vermelho brilha ao sol, mas na minha cabeça é que está o brilho.
Se já não fosse uma lenda, eu poderia acreditar que não estou num sonho.
Mas como também há pesadelos e dificuldades pela frente, eu sei que estou seguindo o caminho que quero e confio.
E se eu sou inquieto como o próprio Diabo, não haveria de existir outro lugar pra mim.
Sigo os passos do curupira. Vou para o lugar de onde ele parece ter vindo.

See Ya

10.8.04

Tiro de misericórdia

Chego em casa cansado e durmo um pouco. Acordo incomodado e puto porque lá, no mundo dos sonhos, os programas do maldito módulo de assinatura online não funcionam. Tento me distrair um pouco, pra melhorar o humor. Toca o telefone e eu, triunfante, atendo: "Informática, Fabricio".

Você não é seu emprego!
Você não é essa merda de emprego!!!
VOCÊ NÃO É ESSA BOSTA DE EMPREGO, PORRA!!

As palavras dele saindo da minha boca. Ele segura a arma apontada pra mim. Segura como quem segura um caralho em riste, pronto pra gozar na minha cara. Enfia o cano gelado na iná bôa. Puxa o cão. Sabe onde eu moro. Manda que eu corra.

Eu tenho seis semanas.

See Ya

9.8.04

Conexão

Fico muito lisonjeado quando pessoas mais inteligentes e divertidas do que eu colocam um link para o Quando Isso em seus respectivos blogs. Bom, como qualidade de mais inteligente e divertido do que eu não é algo hercúleo de se conseguir, pode parecer, a princípio, que não considero de tão grande valor o gesto de colocar um link pra cá. Ledo engano. Quero mesmo agradecer a todos que fizeram alguma menção ao meu blog ou que mantém em seus recantos virtuais uma conexão com o meu cafofo digital.

Dessa vez, ainda, queria agradecer especialmente a 4 pessoas:

Bernardo, que é um cara muito maneiro e que tem o dom de enxergar as coisas de um modo muito diferente e particular. Daria um ótimo líder para o projeto Mayhem. =)

Helena. Na verdade acho que ela não existe, a não ser dentro da minha cabeça perturbada. Mas tentem o link. Pode ser que eu ande com insônia. =)

Raphael, que é um dos caras que hoje me faz olhar pra trás e dizer: valeu a pena ter passado pela USP. Um dos meus melhores amigos e definitivamente o legista e caçador sobrenatural mais legal de Chicago. =)

Felipe, que com seus posts e idéias sem restrições preconceitos ou limites, tem me ensinado muitas coisas e me feito olhar em diversas direções de uma outra forma, mais crítica, mas também mais aberta. =)

Agradeço mesmo a vocês, e também a muitos outros, todas essas experiências que, no mundo blogueiro e no mundo real, voces têm me ajudado a vivenciar. Valeu!

See Ya

PS: Você também pode encontrar esses links aí no menu acima, que aliás, acaba de ser atualizado.

8.8.04

Dias de mosca

Eu já fui a mosca a zumbir no ouvido de alguém. Sim, já fui. E não pense num zumbido bom e acalentador, se é que tal coisa existe. Eu zumbi fundo e forte. Tirei o sono, fiz alguém se virar no travesseiro até altas horas, e até mesmo chegar a desistir de dormir.

Estive também em muitas sopas. Incomodei pelo simples fato de existir, pela simples presença ali, fazendo um belo de um escárnio só pra irritar mesmo. Na verdade nunca foi só pra irritar, mas certamente alguém já pensou isso de mim.

Muitos já tiveram de me engolir. E só porque eu vim voando e os peguei de boca aberta, esperando que o tempo mudasse e... zupt! Num segundo eles estavam a me engolir, a seco, em meio a engasgos e cusparadas. Mas me engoliram e acabou. Tiveram de aceitar.

Diversos ovos e pequenas larvas eu também já coloquei em alguns. E a princípio acharam que eu era só estranho e esquisito. Tarde demais quando descobriram a podridão que eu fui capaz de implantar.

Certas pessoas só queriam abusar de mim, e os outras só queriam que eu abusasse delas. Não decepcionei. E já deixei que me usassem, e me fizessem de boneco só pra satisfazerem seus próprios egos e instintos. E mesmo parecendo uma criaturinha asquerosa e inofensiva, eu fiz esse papel. Mas também já usei e abusei. Já preguei peças, roubei em jogos e trapaceei e cobrei pelo meu serviço.

Não procure em mim apenas o que te agrada, pois o que te assusta e importuna e enoja e irrita e amedronta também te dá prazer e te adula. O fato de você não ter cu pra admitir isso não torna isso mentira. Se você gosta do deleite e do prazer também gosta do medo e da dor. Mas continue sendo covarde e não admita isso nem pra você mesmo. Eu não ligo. Na verdade, até gosto.

Todos têm seus dias de mosca.

See Ya

5.8.04

Torto por linhas certas

Comecei a escrever 4 posts e não consegui terminar nenhum. Demorei a perceber que o que eu queria mesmo era bater um pouco de papo e não escrever um texto, por assim dizer.

E falando em escrever, tenho pensado bastante em escrever um livro. Bem, na verdade seria montar um livro, pois eu estava pensando publicar uma reunião de diversos contos aqui do blog, juntando material inédito também. Claro que ainda é somente uma idéia, e toda a minha falta de tempo e, às vezes, de pique pra escrever vão deixar isso no mundos das idéias (alguém aí disse caverna?) por alguns momentos.

Diversos dos meus leitores já me incentivaram a escrever mesmo um livro. Mas o que poucos deles sabem é que durante a minha infância e adolescência, eu devo ter escrito uns 4 livros, todos bastante imaturos e típicos de quem ainda estava começando a engatinhar no mundo da literatura. Devo a senhora Agatha Christie a temática de meu primeiro livro, Assassinato no Rouche, onde um recém formado detetive investigava crimes ocorridos num transatlântico. A história não deve ocupar mais do que 50 ou 60 páginas de um caderno velho que ainda tenho guardado, nem tomar mais do que 2 horas para que se leia por completo. Levei praticamente 3 anos escrevendo, incluindo aí um bloqueio literário de mais ou menos 1 ano.

Desde que saí, teoricamente, da adolescência, não consegui mais pensar em escrever uma grande história, com começo, meio e fim. Talvez por ter criado 200 histórias diferentes para uma única campanha de RPG, e mais de 100 para outras tantas pequenas campanhas, eu tenha me acostumado a inventar enredos pequenos, curtos, mais como contos ou algo do gênero. O Quando Isso Virar um Blog só veio confirmar a minha predileção por este estilo nesse momento.

Gosto muito de crônicas também, e de um estilo provocativo pra fazer o leitor executar alguns neurônios friamente. Mas, sinceramente, acho que ainda preciso brincar muito com este meu lado mais agressivo e crítico. Deixá-lo com menos cara de revolta adolescente e lapidá-lo para a acidez, irreverência e senso crítico. Não quero me tornar esnobe e intelectualóide como o Arnaldo Jabor, mas também não quero ficar infantilóide e deslumbrado como o José Simão.

Em breve deve, então, surgir um tempo para que eu organize as idéias e textos e páginas que um dia podem se tornar meu primeiro livro publicado. Até mesmo pensei em dois títulos, que poderiam ser: Quando isso virar um livro ou Insônia e outras formas de se manter acordado, fazendo uma referência óbvia ao conto que encabeçaria a publicação. Se alguém quiser dar uma força pro ego desse blogueiro metido a escritor, usem os comentários ou mandem um e-mail. Se, além disso, alguém estiver disposto a publicar qualquer das baboseiras que eu escrevo por aqui, tecle nove para falar com uma de nossas atendentes.

O papo está bom, mas preciso mesmo ir.

See Ya